Curitiba- Um clima de alegria e ansiedade tomou conta de uma família de Curitiba depois que o resultado de um exame de DNA comprovou que a menina D.C.S., sequestrada de um hospital de Santos, litoral de São Paulo, é mesmo a neta e sobrinha desaparecida há 13 anos. O laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo aponta que a probabilidade de parentesco entre a adolescente e os supostos avós paternos é de 98,2%.
A cabeleireira Roseli do Rocio Machado dos Santos, uma das tias da menina, sabe que ela e seus pais, Terezinha de Jesus Batista e Marcílio Jeremias, terão que enfrentar uma nova etapa: a decisão judicial sobre quem terá direito à guarda. Ela sabe que a família vai enfrentar, também, a resistência da própria adolescente, mas são problemas que estão sendo deixados de lado, dando lugar à vontade de conhecer a sobrinha. A mãe biológica de D.C.S., Márcia Jeremias, morreu em 1999, aos 35 anos. A família prefere não comentar a causa da morte.
Roseli e a irmã, Mônica Gusso, bem como a avó de D.C.S. já estão preparando a casa para receber a adolescente. ''Estamos aguardando esse momento como se fosse uma pedra de ouro, um diamante, que estamos ganhando'', disse a cabeleireira. Os familiares não conhecem a menina, nem mesmo por fotos.
A tão esperada viagem a Santos deve acontecer entre terça ou quinta-feira da semana que vem. D.C.S. ainda está com a doméstica Silvânia Claurindo Souza, de 37 anos, que é acusada de sequestrá-la do Hospital Guilherme Álvaro, no dia 10 de dezembro de 1990, cinco dias depois de seu nascimento. Silvânia foi indiciada em outros três inquéritos por subtração de incapaz.
Segundo o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da Baixada Santista, Gaetano Vergine, responsável pelas investigações, Silvânia não deve responder criminalmente pelo sequestro de D.C.S., pois o crime já teria prescrito, assim como nos outros casos em que é acusada. Ela só será processada pelo falso registro de uma outra criança, de três anos, que já foi, inclusive, devolvida aos pais biológicos.
Vergine informou ainda que encaminhou ontem parte das peças do inquérito policial e o laudo do DNA ao Ministério Público para que o órgão encaminhe à Justiça o pedido de regularização da guarda da menina. Segundo o delegado, a adolescente já demonstrou que não quer sair de perto de Silvânia.
O promotor de Justiça do Centro de Apoio Operacional das Promotorias da Infância e Juventude, Murillo José Digiácomo, ao opinar sobre situações de decisão de guarda de menores, disse que ''a postura que se espera é que atitudes como essa (no caso o sequestro) não seja respaldada pela lei''. Para ele, manter a guarda com a pessoa que praticou o crime seria uma forma de estimular que outras pessoas burlem a lei em vez de buscar os caminhos legais da adoção.

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