Curitiba- Mesmo pagando pelo atendimento médico-hospitalar, as pessoas não estão livres de enfrentar transtornos. Há cerca um mês, o aposentado Arnaldo Lombardo, 68 anos, precisou ser hospitalizado depois de sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC) conhecido popularmente como derrame e os familiares optaram por colocá-lo em um quarto particular, acreditando que ele seria bem cuidado.
Em nove dias de internação, no entanto, os familiares do aposentado puderam listar uma série de queixas contra o atendimento, a começar pela falta de sintonia entre os médicos e a equipe de enfermagem. Falhas como a prescrição de ''dieta leve'' pela nutricionista que sequer o viu no primeiro dia do internamento. Em estado de semicoma, Lombardo não podia nem mesmo respirar sozinho, quanto mais se alimentar. A preocupação da família era de que a negligência se repetisse com a medicação administrada.
Para eles, a qualificação profissional das técnicas ou auxiliares de enfermagem, também, era duvidosa, não se sabe se por falta de atualização ou por excesso de trabalho. O que a família entendeu é que deixar a sonda que fazia a drenagem estomacal cair, ao fazer a higiene, foi, no mínimo, descuido. Assim como colocar um paciente com AVC (que não tem controle da deglutição), totalmente, na horizontal, e deixá-lo sufocar com a própria secreção.
O coordenador de Fiscalização do Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (Coren-PR), Marcos Roberto Giroldo, disse que é papel do enfermeiro técnico responsável da instituição acompanhar os procedimentos de enfermagem e a prescrição feita pela equipe médica. O planejamento das atividades dos técnicos e auxiliares para não haver sobrecarga de trabalho e a necessidade de educação continuada, também, são de sua responsabilidade.
Segundo Giroldo, no caso de instituições particulares, o primeiro passo é denunciar eventuais erros ao enfermeiro-chefe e à direção do próprio estabelecimento. ''Os grandes hospitais, normalmente, têm uma ouvidoria'', informou. Depois disso, o caminho é o Coren-PR, que irá fazer a fiscalização. Se constatada falha do profissional, ele é punido administrativamente pelo conselho. Havendo negligência da instituição, a denúncia é encaminhada ao Ministério Público (MP) estadual.(A.L.)

Serviço - O telefone do Coren-PR para denúncias é o (41) 3016-2755. Já o Conselho Regional de Medicina (CRM-PR) atende pelo número (41) 3240-4000 ou, ainda, procure o Ministério Público (MP) de sua cidade.

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