A família Ballico, de Nova Aurora (61 km ao norte de Cascavel), marcou com um almoço os 10 anos da reocupação de parte de suas terras invadida por grileiros em 1968. Durante o encontro, na última quinta-feira, os familiares contaram detalhes do confronto que durou cerca de 15 meses. O problema só foi amenizado depois que o governo do Estado destinou uma área, para onde os Ballico se mudaram, enquanto aguardam decisão da Justiça.

Segundo Laumir Ballico, um dos líderes da família, seu pai Olivo chegou na região em 1955, quando comprou a propriedade de 420 alqueires, que seria repartida com outros sete irmãos. Em 1968, recorda Laumir, um grupo de jagunços liderados Colonizadora Norte Paraná (da família Martinez) invadiu a área. ''A colonizadora cercou nossas terras e nos deixou com apenas 8 alqueires, repassando o restante para outras famílias'', lembra.

A família Ballico entrou na Justiça com um pedido de reintegração de posse, que até hoje não foi concedido. No final da década de 80, eles passaram a organizar um plano para retomada das terras. Não descartaram a hipótese de matar os grileiros que estavam em suas terras e depois fugir. Mas concluíram que seria possível reconquistar aquilo que lhes pertencia.

O plano da reocupação das terras foi executado no 9 de agosto de 1991. Onze membros da família foram até a casa de um dos grileiros e fizeram três reféns. Roberto Ballico conta que planejaram a invasão para uma sexta-feira, impossibilitando qualquer recurso judicial para tirá-los da área. Depois de uma semana no local eles decidiram libertar os reféns. Mas, por se negaram a deixar as terras, deu-se início a um confronto que durou 15 meses com jagunços contratados pelas famílias beneficiadas pela colonizadora.

Laumir Ballico ressalta que, apesar de estarem em apenas 11 pessoas, existia todo um aparato, que incluía o apoio de duas cooperativas da região e também do governador da época, Roberto Requião. Em entrevista publicada pela Folha, na ocasião, Requião manifesta posição favorável à família. Durante o confronto com os grileiros, destaca Laumir, não foram registradas mortes, mas várias pessoas acabaram feridas.

Dez anos depois, os membros da família que decidiram deixar a sede da fazenda após receber do governo do Estado uma área, através de contrato de concessão de uso , reclamam da morosidade da Justiça. Eles se dizem preocupados com oito processos que tramitam na Justiça contra eles, sendo um por invasão de propriedade. ''Faz 33 anos que entramos na Justiça para recuperar nossas terras e nada acontece. Enquanto isso, os processos contra nossa família avançam e corremos o risco de ser prejudicados por termos lutado pelo que é nosso'', desabafa Laumir. Ele garante que vai lutar por seus direitos e não aceitará a sentença caso seja condenado.

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