Família freta avião para procurar padre
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quinta-feira, 24 de abril de 2008
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Familiares do padre Adelir Antônio de Carli, 41 anos, fretaram, ontem, um avião para sobrevoar as ilhas, compreendidas entre Barra Velha e Florianópolis, no Litoral catarinense. A esperança é de que o religioso tenha conseguido chegar em terra, já que o único vestígio encontrado no mar, na manhã de terça-feira, foi parte dos balões de gás hélio com os quais o padre levantou vôo, no último domingo.
A conselheira da Pastoral Rodoviária -organização liderada pelo padre-, Denise Gallas, disse que os familiares do pároco seguiram a orientação de fiéis da Paróquia São Cristóvão, de Paranaguá, que teriam intuído sobre a localização de Carli. Segundo ela, na tarde de ontem, mais um conjunto de balões foi visto próximo a Barra Velha, o que não foi confirmado por nenhum órgão oficial que trabalha nas buscas.
A equipe do Serviço de Busca e Salvamento da Marinha do Brasil (Salvamar) manteve, ontem, as buscas ao padre Adelir, apesar de vencido o prazo de 72 horas de seu desaparecimento no mar. Segundo nota da Comunicação Social do comando do 5º Distrito Naval, ''esse é o tempo indicado como parâmetro eficaz nas buscas em situações similares''. Lanchas da Capitania dos Portos de Santa Catarina, um helicóptero e o navio hidro-oceanográfico Taurus estavam sendo empregados nas buscas.
Ainda de acordo com a nota, a Marinha intensificaria, ontem, os trabalhos por mar e com a aeronave, pois as condições climáticas eram favoráveis, com boa visibilidade, ondas de até um metro e meio e temperatura da água em torno de 22ºC.
Não era essa a avaliação do comandante do Corpo de Bombeiros de Camboriú, major César de Assumpção Nunes. Segundo ele, as buscas com embarcações, ontem, estavam impraticáveis, por causa das condições do mar, em todo o litoral sul. De acordo com o comandante, havia registro de ondas de até 10 metros de altura. ''O Corpo de Bombeiros não tem nenhuma embarcação no mar'', reforçou.
Nunes afirmou que é muito remota a possibilidade de sobrevivência com o mar nessas condições. O Corpo de Bombeiros, segundo o comandante, trabalha com a hipótese de localizar o corpo de padre Adelir e não mais de o encontrar com vida. ''As chances de que o corpo apareça na praia são de 30%'', ponderou Nunes. ''Quanto mais fria a água, mais o corpo demora a aparecer'', acrescentou.
O comandante não soube estimar o prazo para que sejam mantidos os trabalhos de busca. Ele calcula que os esforços empregados até agora tenham representado um gasto aproximado de R$ 300 mil.


