Foz do Iguaçu, PR, 21 (AE) - Uma família está há 25 dias refém da burocracia argentina na fronteira entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú. As chaves e os documentos do trailer do mecânico argentino Daniel Cristobal Peiró, de 43 anos, foram sequestrados pelo chefe da Aduana, Carlos Arevillaga. Durante todo esse tempo, ele está morando no veículo com a mulher, a brasileira Maria Zeneide Portela Peiró, de 43, e o filho, Mike Erik, de 4. Ela está grávida de sete meses.
O casal mora na Guiana Francesa e o ingresso deles na Argentina é uma sucessão de contratempos. Eles saíram da Guiana no início do ano e chegaram à fronteira em março, mas foram impedidos de entrar no país porque faltava um visto do país de origem nos documentos do veículo.
Enquanto insistiam com o chefe da Aduana, permaneceram durante 40 dias morando no trailer no lado brasileiro da fronteira. Nesse período, todos os documentos do casal e do veículo foram roubados. Eles conseguiram documentos provisórios no consulado argentino em Foz do Iguaçu e, para surpresa do casal, no início de maio, puderam entrar no país com um visto válido por três meses. "Disseram que havia acontecido um mal-entendido", comenta. Cristobal Peiró diz que a intenção inicial era permanecer com a família em Mendoza, onde tem parentes.
No tempo em que esteve na Argentina, Cristobal Peiró tentou obter pelos Correios uma cópia do documento do carro. "Acho que foi extraviado nos Correios", conta. Já com o visto de permanência na Argentina vencido, ele voltou para a Guiana em busca da segunda via dos documentos.
Permaneceu por lá durante quase cinco meses, enquanto Maria Zeneide e o filho aguardavam em Mendoza. Ao tentar sair do país com uma cópia do registro do trailer emitido pelo governo da Guiana, no dia 26, Cristobal Peiró teve as chaves e os novos documentos do veículo apreendidos pelo chefe da Aduana.
Arevillaga argumenta que o trailer permaneceu por três meses em situação irregular no país e teve de ser apreendido. "Verbalmente, ele disse-me que eu teria de pagar uma multa de US$ 17 mil para o retirar", conta o mecânico.
Mesmo com o sequestro das chaves e documentos, a família está morando no trailer, que fica estacionado no pátio da Aduana. Maria Zeneide diz que o dinheiro do casal está acabando. "Se houve alguma infração, não foi com fins lucrativos", argumenta Cristobal Peiró. "Só queremos sair da Argentina com as mesmas coisas com que entramos", complementa.

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