Rio, 14 (AE) - A garçonete Leila Maria Neves Figuereido, de 45 anos, e seus filhos Renato, de 17 anos, Bruno, de 16, e Maria Alice, de 10, foram executados hoje no Morro do Preventório, em Charitas, Niterói, no Grande Rio. Os quatros estavam dormindo quando o assassino, usando uma pistola PT-380, invadiu a casa, no alto da favela. O criminoso fugiu. A única sobrevivente foi Renata, de 12 anos, uma das filhas de Leila que havia saído para ir à escola.
A polícia suspeita de vingança. Segundo o delegado José Peixoto, da delegacia de Jurujuba e responsável pelas investigações, o crime tem características de que foi encomendado. "As vítimas foram executadas enquanto dormiam", explicou o delegado. "É uma chacina encomendada por motivo torpe".
De acordo com o segurança Robson Junior Figueiredo, de 35 anos, irmão da vítima, Leila estava brigando com o proprietário da casa onde ela morava, na Rua 14 de Abril, identificado apenas como Antenor. Ele disse que a irmã havia comprado a casa há cinco anos por R$ 20 mil, mas devido a dificuldades financeiras só conseguiu pagar R$ 3 mil.
Ontem (13) à noite, Antenor teria ido à casa de Leila cobrar a dívida. Os dois e um ex-companheiro da garçonete, Waldemar de Oliveira, teriam discutido por causa do débito. Antenor teria feito ameaças à família.
Outra filha de Leila, a estudante Maria Wilma Guilherme, de 16 anos, afirmou que a mãe andava preocupada com a dívida. Ela não morava com Leila e soube da chacina por parentes e amigos. "Minha mãe era uma pessoa querida e não pagou a casa porque estava sem dinheiro", disse Maria Wilma. Ela contou que Leila morava na favela há 15 anos e começou a trabalhar num quiosque na Praia de Charitas há cinco meses. "Ela estava juntando dinheiro", contou chorando. A estudante não sabe o nome completo do dono do barraco.
O filho Renato, uma das vítimas, também estava trabalhando para ajudar a pagar a casa. Ele era atendente numa das lojas da rede McDonalds, em Niterói. Bruno jogava na escola de futebol do Vasco, em São Gonçalo. Maria Alice estava no primário.
"Era uma família tranquila e os meninos brincavam na rua", disse uma vizinha de Leila que não quis se identificar com medo de represália do criminoso. A garçonete e os filhos deverão ser enterrados amanhã (15).

mockup