Engenheiro Beltrão - Uma família foi despejada a força ontem de madrugada do assentamento Marajó, em Quinta do Sol (43 km ao norte de Campo Mourão). Aparecida Fidélis Pereira Fernandes, 34 anos, que é dona do lote de cinco alqueires, disse à polícia de Engenheiro Beltrão que o despejo foi feito por um grupo de mais de 30 assentados a maioria usando armas por causa de uma briga num bar do assentamento.
A família Aparecida, o marido João Aparecido, que é deficiente físico, três filhos e a sogra dela, de 75 anos foi retirada de casa por volta das 5h30 e colocada num caminhão com a mudança. ''Fomos acordados com os revólveres na nossa cara'', contou Aparecida. ''Eles prometeram colocar fogo em tudo se a gente voltar pra lá''. O assentamento Marajó existe há três anos e tem 58 famílias.
Sem saber para onde ir, eles passaram a tarde de ontem em frente ao fórum de Engenheiro Beltrão. A juíza Ketbi Aster José atendeu a família e ordenou à Polícia Militar que escoltasse a volta deles ao lote. Até o início da noite de ontem, quatro policiais militares de Engenheiro Beltrão e Quinta do Sol aguardavam a chegada de reforço para levar a família à casa dela no assentamento.
Segundo João Aparecido, a briga no bar foi uma armação porque ele não tem contribuído para a formação de novos assentamentos. O motorista do caminhão que estava com a mobília dos despejados, Santo Bozelli, disse que foi contratado para fazer uma mudança, mas não sabia que se tratava de um despejo sem ordem judicial. ''Entrei numa fria'', afirmou. Ele contou que viu pelo menos 10 homens armados no local.

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