Londrina - Atos como o massacre no Rio de Janeiro são difíceis de prever, mas familiares de pessoas com tendência a ter um surto psicótico devem ficar atentos a sintomas que indicam possibilidade de ocorrência de agressões graves.
Segundo a psiquiatra Sandra Odebrechet Vargas Nunes, o indivíduo que tem a tendência de ''cometer suicídio ampliado (quando mata outras pessoas antes de tirar a própria vida) normalmente apresenta alguns sintomas.'' Ela aponta que doenças como esquizofrenia, depressão e transtorno bipolar também podem levar a um surto.
Por isso, alerta Sandra, a família deve estar atenta a mudanças de comportamento do indivíduo e a problemas como demonstrações de tristeza profunda, agressividade, sentimento de culpa, perda de sono e de apetite, sensação de perseguição e abuso de álcool e de substâncias psicoativas. ''Nesses casos, é preciso motivar a pessoa a buscar ajuda'', enfatizou.
Ela ressalta que em um primeiro momento o paciente não enxerga a necessidade de mudança. Aos poucos, vai começando a admitir que precisa de ajuda até chegar ao estágio em que realmente quer se tratar e modificar o comportamento de risco. ''É importante ressaltar que essas pessoas precisam estar em tratamento constante com uma equipe multidsciplinar, a fim de evitar recaídas'', observou.
Comportamentos como o do autor do massacre, de acordo com Sandra, também podem ser motivados pela cultura moderna, marcada pelo rompimento de vínculos. ''Hoje em dia as pessoas não se sentem amparadas e as famílias estão cada vez mais desestruturadas.''
Ela ressalta que os pacientes com tendência suicida apresentam baixo suporte familiar ou social, comportamento impulsivo e normalmente são homens acima de 45 anos. Os perfis e comportamentos foram identificados por meio de pesquisas feitas para o livro ''Emergências Psiquiátricas em Hospital Geral'', do qual Sandra Vargas Nunes é uma das organizadoras.
A principal consequência desse panorama é uma sociedade cada vez mais violenta. Esta característica, no entanto, não é novidade. De acordo com a socióloga Dione Lolis, a violência sempre esteve presente e jamais vai acabar. ''Atitudes violentas podem ser causadas pela desigualdade social, por um forte trauma, necessidade de sobrevivência e até pela sensação de impunidade'', declarou.
Na opinião dela, a cobrança excessiva dos dias de hoje também pode desencadear agressividade nas pessoas. ''Atualmente, há uma busca constante pelo poder e os mais fortes querem se sobressair diante dos mais fracos.''(Paula Costa Bonini/Reportagem Local)

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