Família desconhece paradeiro de soldado
Da Redação
Os pais do soldado Antônio Cláudio Cardoso de Meira viram o filho pela última vez na segunda-feira e não sabem explicar direito o que está acontecendo. Ele morava no bairro do Xaxim, em Curitiba, nos fundos da casa dos pais, e foi a pessoa que entregou à Comissão Pastoral da Terra (CPT) fitas de vídeo mostrando a Polícia Militar promovendo ações violentas de despejo de trabalhadores sem-terra.
Segundo o servente aposentado, Juvenal Cardoso de Meira, 69 anos, pai de Antônio Cláudio, grupos de dois ou três soldados fardados estiveram à procura de seu filho durante terça-feira e quarta-feira. Eles entraram à noite no quintal, com lanternas, e forçaram uma janela da casa do Claúdio, revelou Meira. Ele afirmou também que os policiais usaram de linguagem inadequada com sua esposa, Nair Cardoso de Meira, 62 anos, que tem diabetes e está sofrendo muito com o que está acontecendo. Pararam minha esposa na rua e disseram que se o Cláudio não se apresentasse, eles iriam procurá-lo nem que fosse no inferno. Isso não é coisa que se diga para uma senhora de idade.
Antônio Cláudio de Meira deveria ter prestado depoimento na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, na quinta-feira, mas não o fez por temer por sua segurança. Ele tem 35 anos, é casado e tem três filhos pequenos, o mais novo com um ano de idade. Sua esposa e os filhos também estão em lugar indeterminado. Seu pai disse que o soldado trabalha na PM há aproximadamente 16 anos e que não havia demonstrado insatisfação com o serviço nos dias anteriores ao desaparecimento. A única coisa que eu percebi é que ele andava mais quieto do que o normal, disse Juvenal de Meira.
O comandante da Polícia Militar no Paraná, Luiz Fernando de Lara, afirmou que as ordens para localizar Antônio Cláudio de Meira fazem parte da rotina da polícia, pois ele não havia aparecido para trabalhar. Lara não acredita que tenha havido qualquer ameaça aos familiares do soldado. Eu não posso garantir que os policiais não tenham usado palavras ofensivas, mas dou certeza de que as ordens eram para agir pacificamente, disse Lara.
O comandante declarou que as imagens da fita são uma montagem e que a atitude do soldado foi uma traição à corporação. Ele deveria estar envergonhado pelo que fez. Se havia descontentamento por parte dele, isso deveria ter sido comunicado aos superiores, afirmou. Mesmo assim, Lara sustentou que garante pessoalmente a integridade física de Antônio Cláudio Cardoso de Meira.Pai do PM que entregou fita à CPT diz que policiais fardados forçaram uma das janelas da casa do filho e teriam feito ameaças
José SuassunaPreocupaçãoJuvenal Cardoso de Meira, pai do soldado Antonio Cláudio, diz tê-lo visto pela última vez na segunda-feira





