Família de Wellington paga o resgate
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sábado, 20 de março de 1999
Edson Luiz Enviado Especial 
Cerca de 14 horas depois do pagamento do resgate de US$ 300 mil, a família do compositor Wellington José Camargo, irmão da dupla Zezé di Camargo e Luciano, ainda não sabia ontem o seu paradeiro. Wellington foi sequestrado há 93 dias, em Goiânia, por quatro homens, mas até por volta das 14 horas de ontem não havia contatos de onde ele estaria. O resgate foi pago no início da madrugada de ontem, segundo o secretário de Segurança Pública de Goiás, Demóstenes Xavier Torres.
A expectativa da polícia era que os sequestradores libertassem Wellington em um período mínimo de 24 horas. Mas até 72 horas, ainda é um prazo normal, afirma Torres. O que nós tínhamos que fazer foi feito, agora depende deles (os sequestradores), disse Zezé di Camargo a uma emissora de rádio, na madrugada do sábado. Ele estava esperando a localização do irmão para voltar para Goiânia, depois de fazer shows no interior do Ceará.
Ed Ferreira/AE(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)EsperaO secretário de Segurança Pública de Goiás, Demóstenes Xavier Torres, anuncia o pagamento do resgateO outro irmão do sequestrado, Emanuel Camargo, responsável pelas negociações, evitou dar entrevistas, mas por intermédio de outras pessoas, mandou avisar que a família passava por um momento de angústia. Esse é um período crítico para a família, disse Emanuel, por meio de um repórter. Ele confirmou que a polícia estava afastada do caso até a libertação do irmão.
Os sequestradores aceitaram, na quinta-feira, abaixar o valor do resgate para US$ 300 mil. Durante a semana, ele haviam fixado em US$ 2 milhões, uma quantia recusada pela família. Eles deram uma prova, na sexta-feira, de que Wellington ainda estava vivo, contou Demóstenes Torres. Por isso, a família decidiu que a polícia deveria ficar fora do caso, durante o pagamento do resgate, acrescentou Torres. Wellington teria conversado com Emanuel no início da noite de sexta-feira.
Na sexta-feira, Emanuel Camargo esteve reunido com policiais civis e federais, mas pediu que todos se retirassem na hora de definir o local do pagamento do resgate, que foi nas imediações de Goiânia.
Provavelmente, quem levou o dinheiro aos sequestradores foi um advogado amigo da família, que ficou responsável pelas negociações no primeiro mês do sequestro. Ele saiu do apartamento de Emanuel por volta da meia-noite, levando uma maleta, supostamente com o dinheiro.
Depois da divulgação do pagamento do resgate, a rua onde mora a família de Wellington ficou movimentada e com grande aglomeração de populares em busca de informações. Adélio Antunes de Barros, que fixou diversas placas pela cidade, pedindo que Jesus libertasse o compositor, ficou ajoelhado em frente ao Edifício Las Vegas, onde mora Emanuel. Evangélico, Antunes leu várias passagens da Bíblia, enquanto segurava uma placa alusiva a libertação de Wellington.
O sequestro de Wellington foi um dos mais duradouros do Brasil e o mais longo de Goiás. O compositor ficou 93 dias nas mãos de uma quadrilha que a polícia acredita ser de outro Estado devido ao modo como agiram. Segundo o secretário de Segurança Pública do Estado, o Grupo Anti-Sequestro (GAS) somente faria busca para localizar os sequestradores depois que Wellington aparecesse.


