Curitiba- O governo brasileiro só terá como interferir no caso do paranaense Rodrigo Gularte, 32 anos, que pode ser condenado à morte por tráfico internacional de droga na Indonésia, depois que se esgotarem todos os recursos jurídicos. A informação foi passada ontem pela assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty. Gularte foi preso na capital Jacarta no sábado passado com seis quilos de cocaína.
O advogado e primo de Rodrigo Gularte, César Augusto Gularte de Carvalho, de Porto Alegre (RS), reconhece essa situação e disse que os familiares apenas esperam da embaixada o apoio que lhe compete. Disse, também, que durante o final de semana discutirá com os familiares as estratégias a serem adotadas e quais os membros irão para Jacarta visitar Rodrigo na prisão.
O advogado de outro brasileiro preso na Indonésia chegou a pedir ao governo brasileiro que esperasse o fim dos recursos jurídicos, informou o Itamaraty. Marco Archer Cardoso Moreira, 42 anos, foi condenado, em primeira instância à pena de morte na Indonésia. Ele foi preso com 13,4 quilos de cocaína escondidos em uma asa-delta.
Os familiares de Rodrigo Gularte de acordo com declaração da mãe, Clarisse Gularte, a uma emissora de televisão gostariam que ele fosse transferido para o Brasil para escapar da pena de morte, conforme prevê a legislação daquele país.
Segundo informações da assessoria de imprensa do Itamaraty, Rodrigo Gularte terá que ser julgado pelas leis da Indonésia, país onde ele foi flagrado por tráfico internacional de droga. Ele e outros dois brasileiros foram detidos no aeroporto de Jacarta, de onde seguiriam para Bali. Nas oito pranchas de surfe que levavam, havia seis quilos de cocaína, distribuídos em 12 pacotes. As pranchas vinham de Florianópolis, Santa Catarina e passaram pelo Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, por São Paulo e Johannesburgo, na África. Gularte assumiu sozinho a responsabilidade pela droga. Os outros dois foram liberados.
A assessoria do Itamaraty informou que, por causa do fuso-horário (a Indonésia está dez horas à frente do horário de Brasília), somente na segunda-feira poderá confirmar se os funcionários da embaixada brasileira na Indonésia já visitaram Rodrigo Gularte na prisão. A embaixada irá prestar toda a assistência consular cabível, avisou a assessoria de imprensa, verificando o tratamento que ele está tendo na prisão e se está havendo discriminação por ele ser brasileiro. A embaixada também terá o papel de verificar se Gularte está tendo acesso à defesa e de facilitar o contato com a família.
A mãe de Rodrigo Gularte, Clarisse Gularte, que mora em Curitiba, não atendeu a reportagem da Folha.
Segundo a assessoria de imprensa do Itamaraty, o governo indonésio executou, ontem, na ilha de Sumatra, o primeiro estrangeiro por tráfico internacional de drogas. Era um indiano e a quantidade de drogas apanhada com ele seria inferior a 13 quilos.

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