Família de preso ameaça processar Estado
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terça-feira, 06 de novembro de 2012
Danilo Marconi <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - O corpo do detento Valdinei dos Santos, de 27 anos, foi sepultado ontem à tarde no Cemitério Municipal de Sertanópolis (Região Metropolitana de Londrina). Ele ficou internado cinco dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Rafael, em Rolândia, e morreu por complicações neurológicas.
Santos era portador de hanseníase e nos últimos meses teve o quadro de saúde agravado pela diabete. Ele passou a sofrer de hipertensão e infecção urinária. Nos últimos dez dias, foi internado três vezes em hospitais da região.
A família alega negligência. ''Ele estava sofrendo na carceragem. Numa cela onde cabiam quatro pessoas tinha 14. Mesmo doente, o delegado não autorizava a internação hospitalar, nada fez. Meu cunhado só foi levado ao hospital quando o quadro era gravíssimo'', criticou Renata Alves Bastos. Santos era acusado pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo, tráfico de drogas e formação de quadrilha.
Parentes do detento prometem processar o Estado. ''A gente não descarta entrar com uma ação contra o Estado. Houve, no mínimo, negligência. Antes de ser um detento, ele era um ser humano e os cuidados básicos não foram observados pela autoridade policial'', apontou a cunhada.
O caso estava sendo acompanhado pelo Centro Direitos Humanos (CDH) de Londrina. ''Nós vamos entrar junto com a família com uma ação de reparação por danos morais. Ele morreu nas mãos do Estado'', informou o coordenador do CDH, Carlos Enrique Santana.
O delegado de Sertanópolis, Paulo Gomes, rechaça a tese de negligência. ''O portador de hanseníase tem que fazer tratamento medicamentoso por quatro anos consecutivos. Ele (Valdinei) tinha acompanhamento diário do pessoal do PSF (Programa Saúde da Família), mas chegou um momento em que deixou de tomar a medicação por conta própria'', rebateu.
''Temos provas aqui das visitações (do pessoal da saúde). A folha rosa (de atendimento médico) estava preenchida por completo. Na penúltima semana o encaminhamos todos os dias para o posto de saúde. Dá a entender que ele deixou de tomar medicação para ganhar o benefício da prisão domiciliar'', comentou. A carceragem da Delegacia de Sertanópolis abriga 36 presos, o triplo da capacidade. A assessoria da Polícia Civil afirmou que não houve negligência e que, ''sempre que precisou, o detento foi levado ao hospital''.(Colaborou Aline Vilalva)


