São Luís, 08 (AE) - Uma família de policiais e ex-policiais está presa no Maranhão por envolvimento com o tráfico de drogas e armas, roubo de carretas e assassinatos.
As investigações sobre o crime organizado no Estado, que levaram para a cadeia prefeitos, vereadores e ex-deputados, revelam a saga da família Moura Gabina, que conheceu a glória na polícia e hoje experimenta a decadência trancafiada em várias delegacias de São Luís.
O chefe do clã, delegado Luís Moura, é acusado, junto com a mulher, a policial Ilce Gabina, de participação na morte do delegado Stênio Mendonça e de um ex-prefeito do interior maranhense, crimes em que o ex-deputado José Gerardo figura como mandantes. Os dois filhos de Moura, Lennon e Luís Moura Filho, mais conhecido como "Luisinho", também estão presos, respondendo por sequestro, assassinato e ocultação de cadáver. O sobrinho do casal Jorge Gabina foi expulso da polícia por receptação de carros roubados e também está atrás das grades, acusado pela morte de Mendonça. Antes de ser preso, ele vivia da falsificação de carteiras de identidade, roubadas, segundo a polícia, do Instituto de Identificação do Estado pela mãe, Ilsa Gabina, e a irmã de Ilce.
Diferente dos demais membros da família é a filha mais velha de Luís Moura, a juíza Leuma Moura, que foi delegada de polícia e promotora no Piauí, antes de entrar na magistratura.
É considerada a "ovelha desgarrada" da família, pela postura honesta elogiada pela opinião pública maranhense.
Luís Moura foi um dos mais importantes policiais do Maranhão. O prestígio dele garantiu-lhe a ascensão a cargos de comando na cúpula da Polícia Civil, que usaria para acobertar o crime organizado no Maranhão. Os dois filhos do primeiro casamento dele, Lennon e "Luisinho" também foram policiais. Lennon era considerado um detetive truculento.
Envolvido em espancamentos, foi expulso da polícia quando Mendonça começou a investigar o sumiço do comerciante Antonio Aires Frazão, em São Luís. "Luisinho" foi expulso da PM, onde era sargento, pelo mesmo motivo. O corpo de Frazão, que foi visto pela última vez em companhia dos irmãos Moura, foi encontrado num poço, no sítio da família, que era também usado para reuniões criminosas.
"Luisinho" e Lennon respondem a um outro processo, pelo sequestro de Osman de Ribamar Sampaio, mais conhecido como "Capitão Caverna", pelo qual cumprem prisão preventiva.
Ilce é considerada o cérebro da família. Nos depoimentos à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado na Assembléia Legislativa do Maranhão, e à polícia, o vendedor de carros Carlos Antonio Maia, mais conhecido como "Carlinhos" (único condenado pela morte de Mendonça), contou que foi ela quem incitou Luís Moura a matar o delegado. Na polícia maranhense, é comum encontrar alguém que presenciou ações truculentas da policial, tida como de temperamento extremamente forte. O sobrinho dela Jorge Gabina forneceu, segundo a polícia, o carro que deu fuga aos pistoleiros logo após o assassinato do delegado.
A família Moura vivia cheia de irritação com Mendonça, desde o caso de Frazão. Mendonça indiciou os irmãos Lennon e "Luisinho" (que passaram cinco anos presos), o que teria atraído a ira de Ilce e Luís Moura. Por este crime, os irmãos nunca foram julgados.
Em São Luís, a população comemorou com fogos de artifício a prisão dos Moura.

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