Há pouco mais de um ano, a vida da cabeleireira Leonice Bueno dos Santos, 27 anos, mudou radicalmente. De mulher ativa e mãe atuante, ela passou a depender da ajuda da irmã para tudo, da locomoção ao sustento. Com um lado do corpo paralisado, cega de um olho e sem poder andar, Leonice ainda se recupera de um tiro na cabeça disparado pelo ex-marido, na Avenida Duque de Caxias, em pleno centro de Londrina, em setembro do ano passado.
  A irmã de Leonice, Márcia Bueno dos Santos, 33 anos, considera um milagre a irmã ter conseguido sobreviver aos ferimentos. Ela passou 25 dias inconsciente na UTI.
  Sem o salário de Leonice e de Márcia, que precisou parar de trabalhar para cuidar da irmã, a família – a cabeleireira tem dois filhos – sobrevive com um salário-mínimo concedido a título de ajuda pela Secretaria da Mulher. Uma parte considerável da renda vai no pagamento do aluguel, de R$ 150.
  Agora, Leonice precisa comprar uma órtese para a perna esquerda para voltar a andar. ‘‘Custa mais de R$ 1 mil, não temos condições de pagar’’, diz a irmã. Apesar de não precisar de medicamentos, Leonice usa fraldas. ‘‘Estamos devendo mais de R$ 400 na farmácia e, se não fosse por ajuda de vizinhos, estaríamos com a água cortada esse mês’’, conta.
  Para melhorar a reabilitação, Leonice teria que perder 10 quilos. ‘‘Os médicos falam para gente comprar frutas, verduras, mas com o que temos mal dá para comer’’, argumenta.
  A família pensa em entrar com uma ação de indenização contra o ex-marido de Leonice, Eliseu Pereira dos Santos. ‘‘O problema é que não temos dinheiro para um advogado mas é um absurdo que ela fique aqui em uma cadeira de rodas e ele solto e tranqüilo por a풒, desabafa a irmã.
  Santos está respondendo processo criminal mas o caso ainda não entrou em fase oitiva, quando os envolvidos são interrogados pelo juiz. Em depoimento, o réu alegou que a vítima estaria lhe chantageando, o que teria motivado o crime. Já Leonice, afirma que depois da separação começou a ser ameaçada pelo ex-companheiro. As ameaças foram registradas na polícia.
  A família está aceitando doações em fraldas tamanho G, para pessoas acima de 70 quilos. O telefone de Leonice é o 3321-5746.

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