A tristeza ainda domina os sentimentos da família do mototaxista Reinaldo Alexandre Brunetti, 31 anos, que morreu anteontem, 42 dias depois de ser atingido por bala perdida num confronto entre bandidos e policiais militares na Área Central de Londrina. A confirmação do Instituto de Criminalística (IC) de que o disparo que matou o jovem partiu da arma de um PM provocou ainda mais indignação da mãe da vítima.
A aposentada Liany Brunetti, 58 anos, disse que quer Justiça e que não vai deixar o caso cair no esquecimento. ''Ninguém fez nada pela gente. Nem a polícia nem o pessoal dos direitos humanos veio nos procurar para saber se a gente precisava de alguma coisa. Mas não vou ficar intimidada e vou acompanhar isso até o fim'', afirma.
Outra queixa da mãe da vítima é contra a postura dos policiais, que teriam comemorado a apreensão do dinheiro roubado de uma imobiliária após a troca de tiros com os ladrões. Reinaldo Brunetti passava pelo local e foi atingido no braço e no abdome. Liany pretende acompanhar o andamento das investigações.
O tenente Ricardo Eguedis, do setor de relações públicas do 5º Batalhão da Polícia Militar, garantiu: ''Se ela nos procurar vamos repassar todas as informações. Até porque repassamos todas as informações sobre esse caso para a imprensa de forma transparente.''
A perícia do IC confirmou que a bala que atingiu Brunetti saiu da arma de um policial. Segundo a perita Débora Lucila Ferreira Luiz, o exame de confronto balístico permitiu a identificação da origem do disparo. ''Os canos das armas são raiados com sulcos e ressaltos, que marcam o projétil e funcionam como uma impressão digital da arma'', explica.
A avaliação será anexada ao Inquérito Policial Militar (IPM). Os policiais envolvidos na ocorrência permanecem trabalhando normalmente.

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