Ato em memória de Flávio Ribeiro Júnior está marcado para às 13 horas de sábado (14), na Concha Acústica
Ato em memória de Flávio Ribeiro Júnior está marcado para às 13 horas de sábado (14), na Concha Acústica | Foto: Arquivo de família



A família e amigos do estudante e motorista de Uber Flávio Martins Ribeiro Júnior realizará no sábado (14), às 13 horas, uma manifestação na Concha Acústica de Londrina. Júnior morreu no dia 4 do mês passado depois de ficar vários dias hospitalizado na Santa Casa de Londrina. Ele foi alvejado no dia 26 de fevereiro quando fazia uma corrida pelo Uber. No entanto, no fim da corrida dois adolescentes, um de 16 e outro de 17 anos, anunciaram o assalto. Eles amarraram os pés de Júnior e ao tentar amarrar as mãos, Junior reagiu e foi atingido por pelo menos quatro tiros na cabeça. Ele foi localizado amarrado e sem documentos em uma estrada de chão próxima à avenida Saul Elkind, (zona norte) em estado grave, mas não resistiu aos ferimentos. Além dos dois menores, um homem de 23 anos também foi preso por emprestar o celular para realizar a chamada pelo aplicativo.
O pai do rapaz, o representante comercial Flávio Martins Ribeiro, afirmou que a manifestação é por mudanças na lei. "As leis precisam ser mais duras. Não quero que essas pessoas saiam da cadeia pelo crime que cometeram. Eles têm que pagar pelo que fizeram. Isso não pode ficar da maneira como ficou. Eles tiraram um ente querido da gente. Tiraram a vida de meu filho, que estava no último ano da faculdade e tinha muitos planos. Isso deixa todo mundo chocado", desabafou.
"Todos que tiveram a oportunidade de conhecê-lo e experimentar um pouco da sua essência só conseguem descrevê-lo como um menino de ouro, sempre alegre, atencioso, carinhoso, amoroso, humilde, prestativo e solidário. Ele tinha um prazer imenso de poder ajudar as pessoas que precisasse", enalteceu.
Nesta sexta-feira (13) os adolescentes apreendidos pelo crime terão uma audiência com o juiz responsável pelo caso e até lá ele ficam internados em regime provisório. "Eles ficam detidos por 45 dias e um juiz decide se eles ficam presos ou não? Essa é a lei do Brasil. Nós estamos organizando essa manifestação contra a violência e a soltura dos envolvidos nessa tragédia", ressaltou.
O pai do jovem assassinado tentará reunir o máximo de pessoas na Concha Acústica. "Vamos discutir um pouco sobre a legislação atual e dar um grito de paz contra a violência. Haverá um abaixo assinado para que todos possam assinar pedindo essas mudanças na legislação. Depois disso vamos realizar uma passeata até a Catedral", antecipou.
Ele afirmou que distribuirá esse abaixo assinado nas universidades e para todos os conhecidos que possui espalhados por todo o País. Para o ato, ele pede que as pessoas usem camiseta preta em sinal de luto e fiquem à vontade para fazerem cartazes e faixas em forma de protesto. Ele pede a participação e união de todos, não apenas dos conhecidos da vítima, mas também de toda a sociedade que, direta ou indiretamente, está exposta a inúmeros riscos como esse.
Ribeiro afirmou que Londrina está ficando muito perigosa. "A gente liga a televisão e só vê que matou mais gente e ninguém faz nada. Nessa manifestação vamos fazer barulho. Nós temos que fazer alguma coisa. Não é só para mim. Muitos jovens estudam como o meu filho e os pais ficam preocupados com eles. Eu não tenho mais o meu filho, e nada irá trazer ele de volta, mas temos que fazer isso pelo Brasil e pelo mundo", disse.
Ele ressaltou que já tem entrado em contato com políticos de Brasília solicitando a modificação das leis penais para quem comete latrocínio.
A namorada de Junior, Maria Paula Bala de Oliveira, 20, disse que as pessoas que mataram seu namorado causaram estrago enorme na vida de muitas pessoas. "Não foi só a vida do Flávio Junior que tiraram. Causaram transtorno à toda a família, amigos e a mim. Essas pessoas não podem ser liberadas porque mostraram que não têm condições de ter uma vida social. Eles causaram um dano irreparável e precisam pagar por isso."
Ela relata que os dois tinham muitos planos. "Fazíamos planos de viajar, de casar e ter filhos. Ele estava no último ano de engenharia de produção e eu estou tentando medicina. Com certeza todos esses sonhos foram interrompidos", lamentou.
Quem quiser ajudar na coleta do abaixo assinado pode entrar em contato pelo telefone: (43) 99110-1168.

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