Curitiba- Três mortos e quase 30 feridos. Este foi o saldo do trágico show ''Unidos Pela Paz'' - que reunia as bandas Raimundos, Natiruts, Tihuana e Charlie Brown Júnior. O espetáculo ocorreu no dia 31 de maio de 2003. Quatro anos depois, as famílias das vítimas ainda aguardam na Justiça do Paraná a tramitação das ações cíveis (de indenização das vítimas e da população que comprou ingresso e não conseguiu ver o show) e criminal. A cozinheira industrial Nelita de Lima Oliveira dos Santos perdeu o filho Jhonatan dos Santos - que foi pisoteado pela multidão que tentava entrar no Jockey Clube. Deveriam ter sido vendidos 15 mil ingressos. Entretanto, mais de 25 mil pessoas compareceram ao espetáculo.
Nelita lembra com saudades do filho, que estaria com 20 anos. Era o mais velho. Não costumava sair de casa - a não ser para ir ao cinema. Como era fã de Charlie Brown Jr., o adolescente pediu à mãe que deixasse ir ao show com os primos. ''Dói muito lembrar o que aconteceu. A gente jamais vai esquecer o fato. Ele saiu daqui para se divertir e voltou naquele situação, morto. Deixei ir porque ele gostava muito da banda que estaria lá. Nunca imaginei que aquela tragédia poderia acontecer'', lamentou a cozinheira.
A mãe pede que os culpados sejam julgados e condenados. ''Eu acho que o erro foi de todos. Deveria ter policiamento lá. Não teve. O promotor do show tinha que ter vendido menos ingressos. Deveria ter pensado mais nas vidas do que no lucro'', ponderou.
O organizador do show, Athayde de Oliveira Neto, 23 anos, tinha autorização da Polícia Civil para o evento com previsão de 5 mil pessoas e contratação de 300 seguranças de empresa privada. Ele foi preso em junho e libertado dois dias depois. No dia 3 de julho, ele foi denunciado por homicídio doloso (com a intenção de cometer), lesão corporal, estelionato e falsidade ideológica pelo Ministério Público (MP) estadual. A pena para este tipo de crime varia de 12 a 30 anos.

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