Família de menina de 4 anos morta por septicemia processará clínica
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sábado, 20 de março de 1999
Por Clarissa Thomé (especial para a AE) 
Rio, 21 (AE) - A família da menina Camila Tonack, de 4 anos, que morreu de septicemia depois de diversos diagnósticos desencontrados, decidiu processar a Clínica Albert Sabin, em Niterói, no Grande Rio, e estuda pedir ao Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) a cassação dos médicos que atenderam à criança. Uma infecção generalizada da bactéria estafilococo, provavelmente causada por um machucado não-cicatrizado no joelho, foi tratado como gripe, virose, catapora e pneumonia por vários médicos da clínica.
A direção da Albert Sabin não foi encontrada hoje para comentar o caso, mas um funcionário, que não quis se identificar
informou que foi instaurada sindicância interna para apurar a denúncia. "Eu sei que é um processo difícil, mas eu vou seguir em frente", disse a mãe de Camila, a estudante Lina Tonack, de 22 anos. "Eu só tinha medo de perder minha filha, agora não temo mais nada."
O drama de Lina e Camila começou no dia 9. A menina tinha febre baixa e pus no joelho machucado, que custava a cicatrizar. Lina levou a filha ao hospital, um dos mais conceituados no tratamento pediátrico da cidade, preocupada com o histórico de diabetes da família. "A primeira médica que a atendeu fez um dreno no machucado e disse que a febre era o final de uma gripezinha", contou Lina. Outros quatro médicos tratariam da menina até o fim da semana.
Ela foi atendida novamente no dia 11 à noite, com dores no braço, quando foi diagnosticada uma virose. Na manhã e na noite do dia 12, Camila foi levada de novo à clínica, depois que manchas rosadas apareceram no rosto dela. Um exame de sangue indicou que o índice de bastões (células de defesa) no sangue de Camila estava 15 vezes mais alto que o normal, o que significaria uma reação do organismo à infecção. "A médica disse que houve um erro laboratorial e que ela estava com catapora", informou Lina.
No dia 13, a respiração acelerada da menina, o instestino parado e a febre alta foram tratados como "pneumoniazinha em consequência da catapora". Mesmo com insuficiência respiratória, ela foi mandada de volta para casa. Camila amanheceu com o corpo gelado, hoje. "Ela abraçou-se a minha mãe e disse, no ouvido dela: Vovó, eu vou morrer", contou Lina, que não tem outros filhos.
Camila foi levada pela última vez para a Clínica Albert Sabin, onde morreu de infecção generalizada, depois de três paradas cardíacas.
"Confiava tanto nessa clínica, que o plano de saúde da Camila era exclusivo da Sabin", afirmou Lina. "O que aconteceu não é justo e não pode ficar impune."


