Família de juiz contesta conclusão de inquérito
Cuiabá, 14 (AE) - Familiares, parentes e amigos do juiz Leopoldino Marques do Amaral, encontrado morto no início de setembro com dois tiros na cabeça, no Paraguai, contestam as conclusões do inquérito e devem pedir a reabertura do caso. A escrevente do Fórum Cível de Cuiabá, Beatriz árias, e seu tio e taxista paraguaio, Marcos Peralta, foram indiciados como autores do crime e podem pegar de 12 a 30 anos de reclusão. O delegado federal José Pinto de Luna garantiu que não há mandante para o crime. Segundo ele, comprovou-se no relatório de 550 páginas que o crime teria sido motivado pela discussão entre Beatriz e o juiz por causa de R$ 30 mil depositado pelo magistrado na conta dela no Banco Fomento Mercantil, no Paraguai.
Em agosto, Amaral denunciou uma rede de corrupção no Tribunal de Justiça de Mato Grosso como a venda de sentença, nepotismo, assédio sexual e envolvimento de desembargadores com o narcotráfico. Um mês depois foi encontrado morto com o corpo parcialmente carbonizado. "Não é possível acreditar nessa versão porque não se mata alguém assim dessa forma sem motivos"
disse o filho do juiz, Leopoldo Gattais do Amaral. "Nos vamos nos reunir com toda a família para tomarmos alguma providência".
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso (OAB/MT), Ussiel Tavares, considerou "razoável" as conclusões do inquérito. Numa fita de vídeo gravada pela PF, Beatriz assegurou que o seu tipo assassinou o juiz. O delegado José Pinto de Luna assegurou que os familiares de Marcos Peralta garantiram que taxista não fez os disparos. Peralta está com a prisão preventiva decretada no Paraguai, onde supostamente deve estar escondido.
O procurador da República em Mato Grosso, José Pedro Taques, recebeu hoje cópia do inquérito, e tem cinco dias para apresentar denúncias. Ele deve pedir novas diligências, as quais serão anexadas no inquérito. A PF mobilizou durante 98 dias mais de 100 agentes e 12 delegados para elucidar o crime, e o máximo que conseguiu foi encontrar a arma do crime e o depoimento da principal suspeita. O advogado de Beatriz Arias, José Marcílio Donegá, disse que "fatos novos vão alterar todo o caso".





