O criminalista Márcio Thomaz Bastos foi contratado pela família da jornalista Sandra Gomide para reforçar a acusação contra o também jornalista Antônio Pimenta Neves, que a matou no domingo passado com dois tiros. ‘‘Só pego casos provido de indignação e este merece minha presença na acusação’’, disse o advogado.
Bastos pretende trabalhar para transformar a prisão temporária do jornalista em preventiva e dar início ao processo para que o julgamento aconteça o mais rápido possível. ‘‘Queremos que se faça o exemplo’’, declarou. Hoje à tarde o criminalista deve ir ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para analisar o inquérito.
O advogado Luiz Flávio Gomes, que está no caso desde o início representando a família da jornalista, disse que o inquérito deve terminar nessa semana, permitindo que a denúncia contra Pimenta Neves seja feita pelo promotor. A partir disso, terá início o processo. Se a prisão do jornalista não for revogada, ele deve ser julgado em menos de seis meses, explicou o advogado. ‘‘Mas a possibilidade de ele ser solto é zero; não haverá juiz com coragem para fazer isso’’, afirmou.
Gomes também acredita que o pedido de prisão preventiva de Pimenta Neves esteja garantido. Segundo ele, além de ‘‘representar um perigo à sociedade’’, o jornalista – internado na clínica de repouso Parque Julieta – pode tentar fugir para os Estados Unidos, onde vive sua família.
Márcio Thomaz Bastos é advogado criminalista desde 1958 e já foi presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP), de 1983 a 1985, e OAB nacional, de 1987 a 1989. Esta será a terceira vez que Bastos e Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, advogado de defesa de Pimenta Neves, se confrontarão em um caso. Bastos disse que, nos dois casos anteriores, foi vitorioso.
O criminalista acredita que Pimenta Neves será condenado. Para ele, o jornalista agiu com ‘‘prepotência e egoísmo desatado’’ ao tirar a vida de Sandra Gomide apenas por ter sua ‘‘sexualidade contrariada’’. ‘‘É o falso passional’’, disse.

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