Família de estudante morta em assalto doa órgãos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de novembro de 1999
por Biaggio Talento 
Salvador, 3 (AE) - A secundarista gaúcha Juliana Juchen Marcante, de 21 anos, morreu na manhã de hoje no Hospital Aliança de Salvador, depois de passar 40 horas em coma. Ela foi baleada na cabeça, segunda-feira, durante uma tentativa de assalto na agência do Bradesco do Bairro de Ondina, orla maritima da capital baiana. Na mesma ação os bandidos mataram o subgerente Marcos Antonio Leite Sobral de 40 anos. A família da estudante doou o coração, o fígado e os rins para pacientes de Salvador e Recife.
Juliana mudou do Rio Grande do Sul para a Bahia com os pais havia onze meses e se preperava para fazer o vestibular de Medicina. Na segunda-feira, ela entrou na agência do Bradesco para abrir a sua primeira conta bancária. Estava sentada preenchendo os formulários, quando três bandidos invadiram o local por volta das 13h30 e anunciaram o assalto. Nervosos, os bandidos se assustaram com um movimento brusco do subgerente Sobral e o balearam no peito. Depois disso, os três desistiram do assalto e fugiram atirando à esmo. Uma das balas atingiu Juliana na cabeça.
Ela já chegou ao hospital em coma e no início da manhã de hoje, os médicos constataram morte cerebral. Com o apoio da família, desligaram os aparelhos.
"Juliana sempre falou que, se um dia acontecesse, o desejo dela era esse, de doar os órgãos", disse o pai da estudante Paulo Marcante. "Isso nos conforta pois vamos ter um pedacinho dela em quatro pessoas", completou. O médico Jorge Bastos, coordenador da central de transplantes da Bahia, explicou que somente os rins serão transplantados em pacientes baianos porque no Estado não se faz transplantes de coração e fígado. "Por essa razão firmamos um convênio com a central de órgãos de Pernambuco, para que os órgãos não-utilizados na Bahia salvem a vida de pacientes pernambucanos".
A polícia baiana não tem pistas dos bandidos mas a Secretaria de Segurança Pública informou que a prisão dos criminosos é uma questão de honra para a corporação.


