Família de estudante doa rins e córneas
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quarta-feira, 27 de janeiro de 1999
Por Biaggio Talento 
Salvador, 27 (AE) - Quatro pacientes baianos - duas crianças e dois adultos -, foram beneficiados, hoje, com a doação dos rins e das córneas do estudante Danilo Ramos Belém, de 19 anos, que morreu ontem à noite no Hospital Geral do Estado. O rapaz havia tentado o suicídio no dia 22, disparando um tiro de revólver na cabeça. Foi levado ao hospital em estado de coma onde morreu na noite passada. A família de Belém, que mora no bairro Matatu de Brotas, de classe-média, em Salvador, autorizou a retirada dos órgãos para os tranplantes.
O coração e o fígado não puderam ser doados porque na Bahia não se realizam esses dois tipos de transplante. Os órgãos poderiam salvar outras vidas em Estados com condições de fazer as cirurgias, mas a doação esbarrou na falta de condições financeiras para o transporte dos órgãos a tempo. O coração pode ser utilizado para transplante até seis horas depois de retirado do corpo do doador, enquanto o fígado resiste 18 horas.
O médico George Bastos, que coordena a central de órgãos na Bahia lamenta as dificuldades enfrentadas pelo sistema lembrando a grande carência de órgãos disponíveis para transplantes. "Seria necessário um jatinho à disposição para recolher as doações a tempo em todo o Brasil e infelizmente, no momento, não existe recursos para isso", disse, observando que a dimensão continental do País acaba prejudicando esse transporte.
"Trabalhei muito tempo na Inglaterra onde se pode ir em qualquer localidade, internamente, em no máximo em uma hora", comparou. Segundo Bastos, pela legislação brasileira é ilegal a família de um paciente pagar o transporte de um órgão doado. "Como foi criada uma lista de espera nacional, não se pode prever se o primeiro dessa relação em determinado momento é um paciente em condições de arcar com essas despesas de transporte", explicou.
Na Bahia, a central de órgãos tem uma fila de 200 pacientes à espera de um rim para transplante, embora estime-se que mais de dois mil necessitem de um transplante do tipo no Estado. Bastos informou que a central criou uma lista inicial de 200 pacientes porque, por enquanto, o sistema só tem capacidade de realizar exames laboratoriais necessários ao transplantes desse número de candidatos a receber órgãos.


