Família de engenheiro retorna e mantém esperança
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segunda-feira, 23 de julho de 2007
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curtiba- A família do engenheiro mecânico aeronáutico Gustavo Pereira Rodrigues, de 23 anos, ainda desaparecido desde o acidente com a aeronave da TAM, em São Paulo, no dia 17, voltou para Carambeí nesse final semana. Os pais, o irmão e a noiva de Gustavo, Karine Andréa Carneiro, 21 anos, estavam na capital paulista acompanhando as buscas no prédio da TAM Express, que foi atingido pelo avião. O engenheiro, que é funcionário da multinacional Bain & Company e presta consultoria para a TAM, participava de uma reunião no segundo andar do edifício no momento do acidente.
''Ele está na lista de pessoas desaparecidas. Fomos em todos os hospitais, de porta em porta, em busca de alguma informação, e ao Instituto Médico Legal (IML) para identificar se tinha alguma coisa dele entre os pertences achados. Gustavo só tinha a aliança de noivado para indentificá-lo'', conta Karine, que mora com o engenheiro, desde janeiro, em São Paulo. ''As buscas não encerraram ainda. Os pais do Gustavo entregaram uma amostra de DNA ao IML, no sábado, para agilizar o reconhecimento. Mas resolvemos voltar, não tinha como ficar mais em São Paulo'', informa ela, que é estudante de Publicidade e Propaganda.
Segundo Karine, ela e a família mantém contato com o IML e um representante da Bain & Company também acompanha as buscas e o trabalho de identificação dos corpos. ''Estamos conformados na medida do possível, apesar de não existir nada de concreto. É difícil de acreditar nessa tragédia. Sinto uma dor de indignação, porque ele nem era passageiro, trabalhava dentro do prédio. Ele só estava começando a vida e tinha tudo para chegar muito longe'', desabafa.
Gustavo passou a trabalhar numa sala no terceiro andar do prédio da TAM Express, em janeiro deste ano. ''Ele comentava que a sala dele era muito próxima do local onde os aviões decolavam. Então ele resolveu filmar para me mostrar e de fato os aviões passavam super perto. Era impressionante'', conta Karine, acrescentando que apesar disso, nem ela nem Gustavo se preocuparam com um possível choque de um avião com o prédio.
No dia do acidente, Gustavo almoçou com Karine, no apartamento que moravam, e depois seguiu para a reunião, com seis a oito pessoas, na TAM Express.''Não sei o que vou fazer de agora em diante, nem quero pensar nisso. Desejo um desfecho o mais rápido possível, porque fica difícil continuar a vida sem ter uma posição, mesmo que infelizmente seja um atestado de óbito. Queremos fazer uma homenagem para ele que é uma pessoa especial'', disse Karine.
Até agora foram identificados os corpos de três dos sete paranaenses vítimas do acidente com a aeronave da TAM, segundo a Secretaria de Segurança de São Paulo: o curitibano Roberto Wilson Weiss Júnior, 38 anos, o maringaense Heurico Tomita, 55 anos, e José Antônio Lima da Luz, 59, que residia em Londrina.


