Apucarana - A família do bebê sequestrado do Hospital da Providência, em Apucarana (Norte), na noite da última quarta-feira, vai entrar com uma ação por danos morais contra a instituição de saúde. Um dos familiares ouvidos pela FOLHA disse que a decisão foi tomada por causa do grande trauma a que todos foram submetidos e para que o caso sirva de alerta à direção do hospital. No final da manhã de ontem Thaís Henriques e o pequeno Nicholas tiveram alta, mas ela ainda está bastante abalada e deverá receber acompanhamento psicológico.
O advogado contratado pela família, Saulo de Tarso Paulista da Silva, informou que está aguardando a conclusão do inquérito para que possa ter acesso ao depoimento da acusada do sequestro e para mover o processo. Ele lembrou que o valor de uma ação por danos morais normalmente é de até 40 salários mínimos, mas neste caso específico está estudando pedir um valor ainda maior.
''Embora a preocupação da família não seja dinheiro, e sim evitar que casos semelhantes voltem a acontecer. Ontem (anteontem), por exemplo, estava cheio de segurança na porta do hospital, hoje já não tem mais nenhum lá'', afirmou o advogado. A FOLHA tentou falar com a direção do hospital na tarde de ontem, mas a informação era de que nenhum responsável encontrava-se na instituição.
O delegado da 17 Subdivisão Policial de Apucarana, Gabriel Marcelo Junqueira Filho, ouviu em depoimento, na noite de anteontem, a mulher acusada do sequestro e a filha dela, de 16 anos, que também estaria envolvida no crime. Na manhã de ontem a adolescente foi apresentada ao promotor da Vara da Infância e Juventude, que decidiu por manter a jovem apreendida por 45 dias, quando será submetida a avaliação psicológica. A mãe da garota, que fingiu ser enfermeira do hospital para ter acesso à maternidade, está detida em Apucarana. Ambas residem em Mauá da Serra.
De acordo com o delegado, a mulher declarou que a filha nada sabia de seu plano de sequestrar a criança. A adolescente teria ficado grávida, nove meses atrás, porém não recebeu apoio do namorado, que teria, inclusive, sugerido que ela fizesse um aborto. Segundo a mãe, três meses depois a jovem abortou naturalmente, mas, por ter se sentido humilhada, decidiu omitir o fato do ex-namorado e do resto da família, que continuaram acreditando na gravidez. Chegada a época do nascimento do bebê, a mãe da adolescente teria planejado o sequestro. Na manhã seguinte à retirada do recém-nascido do hospital, mãe e filha procuraram parentes em Cambé, onde disseram que a jovem tinha dado à luz em Londrina.

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