Arapongas - Era 1912 quando o casal Katarina e Jorge Horvatich desembarcou no Brasil vindo da Croácia, em busca de melhores condições de vida e trabalho. Trouxeram também os filhos Estevan, Águida, Miguel e João, com idades entre 13 e um ano.
No sábado, quase cem anos depois, 234 descendentes do casal, vindos de diversos Estados, se reuniram para uma grande festa em Arapongas (Norte), cidade que em 1937 Águida e o marido escolheram para morar com os filhos, sendo seguida pelos outros familiares. Apenas o filho mais velho, Estevan, não acompanhou a família. Nessa época, Arapongas ainda era uma vila e só houve a emancipação de Rolândia em 1947.
Gisele Horvatich Beffa, neta de Miguel e uma das organizadoras do encontro, conta que tudo começou a ser planejado há pouco mais de um ano. ''Muitos parentes nem se conheciam. Fizemos uma comunidade em uma rede social e tentamos também encontrar os parentes que ficaram na Croácia. Todo o esforço valeu a pena porque sempre quiseram fazer esse encontro e nunca deu certo, e desta vez, em uma data tão significativa, conseguimos reunir tantas pessoas'', afirma.
A data - 8 de setembro -, foi escolhida ao acaso, já que a chegada do casal foi em dezembro, mas depois descobriu-se que no mesmo dia, na Croácia, comemora-se o Dia de Santa Maria Okic, sendo a festa mais importante para a Igreja onde os ancestrais Horvatich foram batizados. As comemorações, claro, só podiam começar com uma missa na Igreja Matriz de Arapongas, que também serviu de cenário para as fotos oficiais da família, que depois se reuniu para um grande almoço.
Júlia Horvatich Santana, 70 anos e Magdalena Galardinovc, 78, são filhas de Miguel e puderam testemunhar a alegria da família reunida. Magdalena, nascida em Jaboticabal, no interior de São Paulo, conta que se lembra de que quando chegaram a Arapongas ela tinha cinco anos e o município ainda era formado por muito mato.
''Apenas a avenida principal, hoje chamada de Arapongas e a Avenida das Andorinhas existiam. Ainda estavam loteando a cidade, tinha muitos pássaros e por isso as ruas começaram a ser chamadas pelos nomes deles. Me lembro do barulho que a araponga fazia e também da estação ferroviária, que foi por onde chegamos'', diz, acrescentando que na época tudo era feito em Rolândia.
Juntamente com Gisele, Júlia ficou encarregada de reencontrar os parentes e organizar o encontro, e afirma que nos últimos dias nem conseguia dormir, de tanta ansiedade. ''Emagreci três quilos de umas semanas para cá, por causa da preocupação de que tudo desse certo, mas fico muito feliz de ver todo mundo junto'', empolga-se.
Segundo Gisele, do encontro devem surgir dois livros. ''Um será apenas com a genealogia da família. Queremos lançá-lo ainda neste ano, em comemoração à data, e o outro deve contar a história da família Horvatich.''

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