Família busca socorro na Justiça
A falta de neurocirurgiões é um calcanhar de aquiles do sistema hospitalar de Maringá e região. A cidade só dispõe de sete especialistas. Como nem sempre estão disponíveis, muitas vezes nem a vaga em UTI consegue salvar o paciente que precisa de uma neurocirurgia. Foi o que aconteceu com a menina Flávia Schiavon, que morreu num posto de saúde de Maringá depois de esperar nove horas por um neurocirurgião.
A morte de Flávia acabou se transformando em inquérito policial, já enviado ao Ministério Público, com o relatório do delegado Luiz Norberto Canhoto. O delegado concluiu que não houve omissão de socorro do sistema de saúde. Um laudo do Conselho Regional de Medicina (CRM) que inocenta o sistema público já foi juntado ao processo.
O promotor João Ângelo Bernardi vai juntar esses dados aos outros processos que investigam a origem das mortes ocorridas em postos de saúde e no HU. A princípio, o promotor acredita que nenhuma das vítimas seria salva, mesmo que tivessem sido internadas em UTI. Ele diz se basear nas investigações.
Porém, existem casos que não se enquadram nesta lógica. Um deles é o do pedreiro José Carlos Módulo, que morreu no dia 25 de junho. Ele sobreviveu três dias, à espera de um leito de UTI. Médicos da Santa Casa acreditam que a falta de atendimento adequado precipitou sua morte.
O advogado Wagner Abraão é um dos que não pensa como o promotor. Ele foi contratado pela família Schiavon para entrar com uma ação contra o SUS. Vou provar com testemunhos e documentos que o pessoal do SUS não está preparado para atender pacientes em estado grave.
Abraão argumenta que no caso dela, a rede pública adotou procedimentos errados. Um dos erros foi não ter avaliado o estado neurológico da menina. Ela havia sofrido uma queda, estava pálida, com falta de reação nervosa e foi deixada numa maca.
Ele argumenta que o poder público tem poderes para obrigar um hospital a atender um paciente grave. Isto não foi feito. Foi uma agressão violenta.
Ao que parece, iniciativas visando culpar hospitais particulares pela omissão do sistema ainda são raras. A explicação pode estar numa denúncia segundo a qual responsáveis por pacientes são obrigados a assinar documentos em branco, que se transformam em instrumentos de pressão dos hospitais.(Leia mais na página 3)





