Londrina - Uma mulher morreu na noite de terça-feira no Terminal Urbano de Londrina e a família afirma que a vida dela poderia ter sido salva se houvesse socorro adequado. A auxiliar administrativa Zilda Miranda de Bezerra estava no ônibus extra da linha 305 (Campus), quando sofreu uma convulsão decorrente de uma crise hipertensiva.
Ela teve um mal súbito e, quando foi levada ao Hospital Evangélico, já estava com um quadro de parada cardiorrespiratória. Os médicos tentaram reanimá-la, mas não obtiveram sucesso.
Segundo Marcelo Soares, responsável pelo Terminal, Zilda foi retirada do ônibus e o socorro foi prestado logo no primeiro minuto. ''Os seguranças realizaram o primeiro atendimento e a deixaram no banco para que ela pudesse se recuperar'', conta. Ele explica que os seguranças ligaram para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
''Mas o Samu demorou a chegar. Eles só vieram às 23h33, quando os familiares de Zilda já tinham levado ela embora'', relata. Segundo Soares, logo depois ela começou a vomitar e teria sido colocada deitada no chão. Foi essa imagem que o filho de Zilda, Luciano de Miranda Bezerra, encontrou quando chegou ao terminal. ''Ela estava com a boca espumando'', relembra.
O coordenador do Samu, Elândio Câmara, diz que o serviço realiza o atendimento de acordo com as informações que são repassadas a ele. ''Nós trabalhamos com classificação de risco e triagem de acordo com o que nos foi informado pelo telefonema realizado por um telefone fixo do Terminal Urbano e ele dizia apenas que a senhora estava com síndrome convulsiva, mas não deram mais detalhes'', conta.
Ele diz que naquela hora o Samu estava sem três das macas, o que deixou duas ambulância paradas. '' Nós ficamos com as macas retidas nos hospitais devido à superlotação dos leitos nas unidades que realizavam plantão'', conta.
O filho de Zilda pretende acionar judicialmente os responsáveis pela administração do Terminal Urbano por negligência. ''Ela já teve convulsões semelhantes em duas outras oportunidades, mas nessas duas oportunidades recebeu socorro rapidamente, o que não aconteceu agora'', conta. Ele menciona o aparelho desfibrilador que o terminal possui graças a uma lei municipal, mas que ninguém o utilizou.
Segundo Marcelo Soares, no momento do incidente nenhum dos funcionários presentes sabia utilizar o equipamento. Uma outra lei, de 2002, determina que locais onde há grande circulação de pessoas devem ter uma equipe capaz para realizar esse atendimento médico, o que não havia no momento em que Zilda passou mal.
Em nota divulgada à imprensa, o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo de Londrina (Metrolon) afirma que em casos como esse os funcionários são orientados a chamar o serviço de emergência porque não possuem formação para prestar atendimento médico.

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