Família ainda não sabe onde está Wellington
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sexta-feira, 19 de março de 1999
por Edson Luiz Enviado Especial 
Goiânia, 20 (AE) - Cerca de 12 horas depois do pagamento do resgate de US$ 300 mil, a família do compositor Wellington José Camargo, irmão da dupla Zezé di Camargo e Luciano, ainda não sabia seu paradeiro. Wellington foi sequestrado há 93 dias, em Goiânia, por quatro homens, mas até por volta das 12 horas de hoje não havia contatos de onde ele estaria. O resgate foi pago no início da madrugada de hoje, segundo o secretário de Segurança Pública de Goiás, Demóstenes Xavier Torres. A expectativa da polícia é que os sequestradores libertasse Wellington em um período mínimo de 24 horas. "Mas até 72 horas, ainda é um prazo normal", afirma Torres. "O que nós tínhamos que fazer foi feito, agora depende deles (os sequestradores)", disse Zezé di Camargo a uma emissora de rádio, na madrugada do sábado. Ele estava esperando a localização do irmão para voltar para Goiânia, depois de fazer shows no interior do Ceará.
O outro irmão do sequestrado, Emanuel Camargo, responsável pelas negociações, evitou dar entrevistas, mas por intermédio de outras pessoas, mandou avisar que a família passava por um momento de angústia. "Esse é um período crítico para a família", disse Emanuel, por meio de um repórter. Ele confirmou que a polícia estava afastada do caso até a libertação do irmão.
Os sequestradores aceitaram, na quinta-feira, abaixar o valor do resgate para US$ 300 mil. Durante a semana, ele haviam fixado em US$ 2 milhões, uma quantia recusada pela família. "Eles deram uma prova, na sexta-feira, de que Wellington ainda estava vivo", contou Demóstenes Torres. "Por isso, a família decidiu que a polícia deveria ficar fora do caso, durante o pagamento do resgate", acrescentou Torres. Wellington teria conversado com Emanuel no início da noite de sexta-feira. Na sexta-feira, Emanuel Camargo esteve reunido com policiais civís e federais, mas pediu que todos se retirassem na hora de definir o local do pagamento do resgate, que foi nas imediações de Goiânia.
Provavelmente, quem levou o dinheiro aos sequestradores foi um advogado amigo da família, que ficou responsável pelas negociações no primeiro mês do sequestro. Ele saiu do apartamento de Emanuel por volta da meia noite, levando uma maleta, supostamente com o dinheiro.
Depois da divulgação do pagamento do resgate, a rua onde mora a família de Wellington ficou movimentada e com grande aglomeração de populares em busca de informações. Adélio Antunes de Barros, que fixou diversas placas pela cidade, pedindo que Jesus libertasse o compositor, ficou ajoelhado em frente ao Edifício Las Vegas, onde mora Emanuel.
Evangélico, Antunes leu várias passagens da biblía, enquanto segura uma placa alusiva a libertação de Wellington.
O sequestro de Wellington foi um dos mais duradouros do Brasil e o mais longo de Goiás. O compositor ficou 93 dias nas mãos de uma quadrilha que a polícia acredita ser de outro Estado
devido ao modo como agiram. Segundo o secretário de Segurança Pública do Estado, o Grupo Anti-Sequestro (GAS) somente faria busca para localizar os sequestradores, depois que Wellington aparecesse.


