Família admite possibilidade de fraude em exame de DNA
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quinta-feira, 04 de novembro de 1999
Por Félix Alberto Lima (especial para a AE) 
São Luís, 05 (AE) - A família do menor José Antônio Penha Brito Júnior, desaparecido em 1988, não descarta a possibilidade de fraude no laudo do exame de DNA emitido há dois anos pela médica Vânia Ferreira Prado, de Belo Horizonte. A jornalista Suzana Brito, de 26 anos, irmã de Brito Júnior, disse hoje que o exame foi solicitado ao médico legista Badan Palhares, em Campinas (SP), mas o laudo retornou assinado pela médica mineira dois meses depois do exame.
A suspeita de ligação entre o desaparecimento de Brito Júnior e o crime organizado no Maranhão foi levantada há duas semanas pelo ex-gerente do Banco do Brasil (BB) José Antônio Penha, pai do menor. Penha encontrou semelhança entre o assaltante de carros José João Soares, o Jota, investigado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, e o suposto sequestrador de seu filho. "Um homem parecido com o Jota andou seguindo a nossa família antes do desaparecimento de Júnior", explica Suzana Brito. Penha participou de uma acareação com Jota, numa das sessões da CPI, e descartou o envolvimento do assaltante com o desaparecimento de seu filho.
Brito Júnior tinha 13 anos quando desapareceu numa praia de São Luís, no dia 19 de junho de 1988. Quatro dias depois, encontraram um corpo e o dentista Patrício Câmara Filho identificou como sendo do menor desaparecido. A irmã reconheceu o corpo, mas o pai não admitiu. Penha pediu o apoio do BB para contratar um especialista em identificação de corpos. Com o apoio do banco e dos funcionários, a família contratou o médico Badan Palhares para fazer a exumação e exame do corpo. "Dois meses depois, veio o laudo de Campinas em que Palhares argumentava não ser possível identificar o corpo", diz Suzana.
A família iniciou então uma campanha para localização de Brito Júnior, oferecendo inclusive recompensa a quem oferecesse uma pista. "Só que as informações eram blefes", relembra a irmã. Como os restos mortais do corpo exumado ficaram com Palhares, em 97 os pais do menor foram a Campinas para fazer o exame de DNA. "Com dois meses chegou o laudo assinado pela médica Vânia Ferreira Prado, segundo o qual não era possível fazer a identificação", relata Suzana. De acordo com o laudo, os restos mortais poderiam ter sido contaminados ou na exumação ou no trajeto de São Luís a Campinas, dificultando a identificação.
O deputado estadual Francisco Caíca (PSD), acusado de envolvimento com o crime organizado no Maranhão, declarou que Brito Júnior teria sido morto por ordem do também deputado estadual José Gerardo de Abreu (PPB). Segundo Caíca, o então gerente José Antônio Penha não aceitou propina proposta por Gerardo para liberação de um empréstimo junto ao BB. As denúncias de Caíca foram confirmadas hoje pelo motorista e segurança Jorge Meres, que reafirmou à polícia as ligações de Gerardo com o ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC), deputado Augusto César Farias (PPB-AL) e o empresário William Sozza.
"Meu pai é amigo de Palhares, que sempre se mostrou prestativo para ajudar a identificar o corpo do meu irmão", admite a jornalista Suzana Brito. "Mas também não podemos defender ninguém". Suzana afirma que as denúncias contra Palhares precisam ser investigadas até o fim. "Quem está de fora pode enxergar melhor". A irmã de Brito Júnior garante que só uma investigação séria poderá identificar se a assinatura da médica Vânia Ferreira Prado é verdadeira. "É preciso saber até se a médica realmente existe", diz.


