São Roque, SP, 13 (AE) - A família do piloto de motocross Fábio Martins da Silva, de 19 anos, assassinado na madrugada de 18 de junho, em São Roque, a 65 quilômetros de São Paulo, acusa a polícia de proteger o acusado pelo crime, o estudante Eros Eamon Germin, de 18 anos, filho de um oficial da Aeronáutica. Segundo os advogados César Augusto Germano e Regina Branca Badan, contratados pelos familiares da vítima, mesmo tendo recebido voz de prisão em flagrante, Eros continua em liberdade.
Passados 25 dias, ainda não foi feita uma busca para apreender a arma do crime. "Nosso receio é de que acusado fique impune diante da omissão de quem deveria coibir o abuso", disse Germano. Vice-campeão de motocross em 98 e considerado uma das promessas do esporte, Fábio foi morto durante uma discussão no trânsito. Ele passeava de carro com a namorada, Samara Dorador, quando Eros teria mexido com a moça. Ao descer para tomar satisfação, foi golpeado com um canivete no peito, braço e costas. A lâmina perfurou o coração, baço e pulmão. Levado à Santa Casa, ele não resistiu.
Policiais militares interceptaram o acusado quando ele chegava em sua casa, na Vila Militar Aeronáutica. Eros recebeu voz de prisão, mas seu pai, o sargento Antônio Luiz Germin, evitou que o filho fosse levado, alegando que se tratava de zona militar da Aeronáutica, sobre a qual os policiais não tinham jurisdição. O oficial comprometera-se a apresentar o filho à polícia, com um advogado.
Hoje os advogados protocolaram um pedido de prisão preventiva contra Eros no Fórum de São Roque. Eles alegam que o estudante pediu transferência da escola e pode estar sendo preparada sua fuga. O delegado do município, Robson Lorencetti Ernesto, disse que não pediu a preventiva do acusado por não haver respaldo legal. "Ele mora na cidade, não tem antecedentes e já foi interrogado." No depoimento Eros admitiu a agressão mas alegou legítima defesa. Ele se comprometeu a entregar à polícia o canivete usado para matar Fábio, mas até hoje não havia feito. O delegado informou que falta apenas ouvir o comandante da Vila Militar para encerrar o inquérito.

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