Família acusa médico de negligência
Lucinéia Parra
De Maringá
A família da dona de casa Edna Bianchini, 29 anos, promete entrar na Justiça contra o médico obstetra Maurício Chaves Júnior, que atende no Hospital Marina Brianez, em Mandaguari (33 quilômetros a leste de Maringá). Edna teve a primeira filha na madrugada de sábado. O bebê, conforme funcionários do hospital, teria nascido morto. Edna contraiu infecção hospitalar e foi submetida a uma cirurgia para a retirada do útero. Ela não resistiu e morreu na manhã de anteontem.
O marido de Edna, o desempregado Fernando Garcia, 21 anos, acusa o médico de negligência. Segundo ele, Edna fez todas as consultas de pré-natal. Ela teria tido uma gravidez tranquila e na última quinta-feira começou a sentir as dores do parto. Depois de uma consulta com o médico do posto de saúde, ela foi encaminhada para o Pronto-Socorro do Hospital Universitário de Maringá (HUM). Como não havia vaga, Edna foi encaminhada para o Hospital Marina Brianez, em Mandaguari.
Lá, ela não teve o atendimento adequado desde o início, denuncia Fernando. Segundo ele, o médico Maurício Chaves Júnior teria rompido a bolsa durante o exame de toque feito na paciente na quinta-feira à noite. No entanto, o bebê só nasceu na madrugada de sábado. Fernando afirma que o médico que tem clínica em Maringá só prestava atendimento a Edna nos horários de visita e que todo acompanhamento à gestante foi feito por uma funcionária do hospital identificada apenas por Rosa.
Na manhã de sábado, ele ficou sabendo que a filha estava morta. Rosa me disse que a culpa tinha sido da minha esposa que tinha fechado as pernas e virado de lado na hora do parto. Ela me levou até o quarto e ficava mandando a Edna falar que era responsável pela morte da nossa filha.
Fernando afirma que o médico não estava presente durante o nascimento do bebê e que o parto foi feito por Rosa e por uma outra enfermeira do hospital. Ele alega que as funcionárias forçaram o nascimento.
Depois do parto, Edna foi transferida para o HUM, em Maringá, com hemorragia, e foi submetida a uma cirurgia para a retirada do útero. A mãe de Fernando, a dona de casa Maria Aparecida Cardoso, diz que a família vai provar que houve negligência. Ela e o filho disseram que vão entrar na Justiça e pedir indenização por falha médica. Só quero que este médico perca o registro e não faça com outras mulheres e que fez com a minha, afirmou Fernando.
O médico Maurício Chaves Júnior foi procurado pela reportagem da Folha ontem. Conforme sua secretária, Maurício estava em consulta e não poderia atender a reportagem. O advogado do Hospital Marina Brianez, Israel Batista de Moura, entrou em contato com a Folha e afirmou que todos os procedimentos foram tomados para garantir a vida do bebê e da paciente. Ele disse que Edna se recusou a abrir as pernas no momento do parto e que ela apresentava distúrbio nervoso.
Segundo Moura, diante da gravidade do caso, vários profissionais e o próprio marido de Edna foram chamados para acompanhar os procedimentos. Moura não soube informar à Folha quais os médicos que estavam presentes no momento do parto.





