São Paulo, 08 (AE) - Pelo menos 2 mil alunos matriculados nas escolas municipais da periferia da zona sul de São Paulo não conseguiram assistir às aulas hoje, no primeiro dia do ano letivo. Essas são as crianças consideradas "excedentes": foram matriculadas na rede pública e serão acomodadas nas salas emergenciais da Prefeitura, com capacidade para 40 alunos, que ainda não ficaram prontas. Na região leste da cidade foram organizadas salas com mais de 40 alunos para atender à demanda. A secretaria havia prometido não matricular mais de 35 estudantes por classe. Na rede estadual não foram registrados grandes problemas.
"Não tenho onde pôr tantas crianças", disse Rogério Muniz, diretor da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Frei Damião, no Parque Residencial Cocaia, na zona sul. Só nesse colégio, 480 estudantes aguardam o término das obras das salas emergenciais. Rogério havia avisado os pais sobre o problema, na semana passada, e orientou-os a não levar os filhos no primeiro dia.
No entanto, a titular da 6.ª Delegacia Regional de Ensino Municipal daquela região, Odiléia Botta de Mattos, afirmou que, "se alguma criança deixou de ir para a escola, é porque os pais preferiram não a levar". Segundo Odiléia, essa é uma opção de cada família. "Em todas as escolas há uma orientação para atender todos os alunos." Segundo a secretaria municipal, 120 salas devem estar prontas até o fim de fevereiro e outras 180, no fim de março.
Além de os candidatos já inscritos nas salas de emergência não terem conseguido assistir às aulas, as crianças cujos pais invadiram a secretaria, no dia 3, pedindo a transformação de um prédio abandonado em escola, também ficaram do lado de fora. As mães ouvidas pela reportagem disseram ter inscrito os filhos na secretaria da Emef Dr. Miguel Vieira Ferreira, mas as vagas ainda não estão garantidas. Gabriela Alves dos Santos, de 8 anos, está nessa lista. Ela acordou cedo e, na esperança de assitir às aulas, levou até caderno para a escola, mas ficou de fora.
Zona leste - Em São Miguel Paulista, um dos bairros da zona leste com maior demanda por vagas, as crianças matriculadas na rede municipal tiveram aula. As listas nas portas das escolas
no entanto, indicavam a superlotação das classes. A maior parte das salas está acomodando mais de 40 alunos. De acordo com a delegacia de ensino da região, já foram solicitadas 15 salas extras.
"A Prefeitura disse que era para a gente trazer os alunos, nós trouxemos, mas quero saber como vão manter a qualidade do ensino", disse Roseli do Nascimento, que tem um filho matriculado na Emef José Honório Rodrigues. "Ainda não sei como os professores vão controlar todas as crianças e dar atenção suficiente para que elas tenham um bom aprendizado."
Na Emef José Ermírio de Moraes a situação é mais crítica. Segundo uma professora, não há carteiras escolares para todos. Está sendo necessário juntar duas delas para acomodar três alunos. Segundo a secretaria, o problema deve ser sanado até quarta-feira (10).

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