Rio, 13 (AE) - Pelo menos cinco pessoas que tentaram fazer o Provão hoje no Colégio Pedro II, no centro do Rio, tiveram que voltar para casa sem responder à avaliação do Ministério da Educação (MEC). Motivo: não havia provas em número suficiente para todos os estudantes que obtiveram liminares na Justiça, garantindo, na última hora, o direito de fazer a prova. "Os alunos receberam um protocolo do MEC, atestando que estiveram presentes ao local da prova", afirmou o coordenador do Provão na escola, João Barros.
O colégio, que reuniu 732 estudantes, era um dos principais locais de prova no Rio. O presidente da Associação de Pais e Alunos do Estado do Rio (Apaerj), João Luiz Faria Neto Jr
afirmou hoje que a associação pedirá ao MEC que faça outra prova para essas pessoas. "Os alunos prejudicados devem procurar a Apaerj ainda esta semana", disse.
O problema ocorreu porque, na tarde de sábado, o juiz Luís Paulo Araújo, da 26ª Vara Federal do Rio, concedeu liminar a um mandado de segurança impetrado pela Apaerj garantindo a todos os universitários do estado o direito de fazer a prova.
De acordo com os cálculos da Apaerj, pelo menos 2 mil alunos não haviam sido inscritos no Provão por suas universidades, como determina a lei. "Achamos que esses alunos não foram inscritos porque os cursos discriminaram os inadimplentes ou por simples desorganização", afirmou a conselheira da Apaerj Francisca Pretzel.
O MEC informou que enviou a todas as escolas um número extra de provas para que os alunos com liminar pudessem responder ao exame. Não foi o que ocorreu, pelo menos no Pedro II. "Recebemos cerca de 30 alunos com liminar, mas só tinhamos 25 provas", explicou João Barros.
Os estudantes inscritos e os que obtiveram liminares individuais tiveram prioridade no recebimento das provas. Os que se amparavam na liminar coletiva eram os últimos a receber o exame. "O juiz determinou que todos fizessem prova", lembrou o presidente da Apaerj. "Esses alunos terão que fazer também."
O estudante de Direito da Universidade Estácio de Sá Carlos Manhãs Filho, de 25 anos, conseguiu, na sexta-feira, uma liminar individual. "A faculdade não fez a inscrição de mais de cem pessoas", justificou.
Já o estudante Bruno Campos de Assis, de 28 anos, que também estuda Direito na Estácio, se amparou na liminar coletiva e conseguiu fazer a prova no Liceu Franco-Brasileiro, no Flamengo, na zona sul.
Protesto - Representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Estadual dos Estudantes (UEE) fizeram manifestação contra o Provão, em frente ao Liceu Franco-Brasileiro, onde 840 pessoas responderam ao exame. "Somos contra o Provão porque achamos que a universidade deve ser avaliada de outra forma", afirmou a coordenadora da UEE, Fabiana Pinto. "A avaliação deveria ser feita periodicamente, por comissões especializadas, e levando em conta diversos quesitos."
Eles pediram aos alunos que deixassem suas provas em branco. Alguns atenderam. "O Provão não é necessário e defendemos outros métodos de avaliação", afirmou o estudante de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Anderson Ulisses, de 24 anos, que saiu sem responder às questões.

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