Londrina - De acordo com o cirurgião responsável pelas cirurgias bariátricas no Hospital Universitário Regional de Maringá, Daoud Nasser, são três as maiores dificuldades que interferem na realização da cirurgia. A primeira delas também é vivida pela equipe do Hospital São Lucas, vinculado à Faculdade Assis Gurgacz, de Cascavel, e é referente ao preparo dos pacientes que precisam fazer consultas e exames em várias áreas.
''Faltam profissionais que façam o preparo dos pacientes, por isso demora muito para conseguir as consultas e atrasa a realização das cirurgias'', explicou Nasser.
O cirurgião do aparelho digestivo do Hospital São Lucas, Tomaz Massayuki Tanaka, disse que o paciente passa por avaliações com cardiologistas, endocrinologistas, pneumologistas, além de acompanhamenho nutricional e psicológico. ''Depois de terminadas as preparações, a cirurgia ocorre rápido. O problema é a demora do preparo'', justificou.
O segundo ponto de conflito levantado pelo médico Daoud Nasser é referente à estrutura física do hospital. ''Temos duas salas de cirurgia para atender todos os pacientes. Quando você programa cirurgia eletiva e aparece uma urgência, suspendemos a primeira'', disse.
A terceira dificuldade elencada diz respeito à falta de pessoal. ''Temos dois anestesistas no hospital, um para cada sala de cirurgia, mas se um deles tira férias, ficamos com uma das salas paradas'', afirmou. Nasser disse que o hospital conta com 15 leitos para atender todas as especialidades de clínica cirúrgica. ''Se eu colocar dois leitos para cirurgia bariátrica, como ficarão os pacientes de vesícula, estômago, apendicite e outros? Me cabe um paciente por semana, as outras vagas são divididas entre as demais especialidades até por uma questão de espaço físico'', destacou.
O cirurgião considerou absurda a proposta de descredenciamento dos hospitais com baixa produtividade de cirurgias bariátricas. ''Precisamos de suporte. Sabemos que a responsabilidade é do hospital, pedimos para a Sesa ajudar a apressar as consultas para fazer com que o paciente fique pronto para a cirurgia mais rápido'', afirmou, destacando que a dificuldade em encontrar médicos especialistas para atender pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) também atinge a Secretaria Estadual de Saúde.
Segundo Tomaz Tanaka, o descredenciamento do serviço vai prejudicar muito os pacientes, além de alimentar uma fila ''sem saída''. ''Acho mais caro enviar a pessoa para operar em outra cidade. Seria mais fácil viabilizar o atendimento e as condições de preparo para que a gente possa operar mais'', acrescentou.
O Hospital São Lucas é o único de Cascavel que faz o procedimento pelo SUS. Atualmente entre 400 e 600 pessoas estão na fila de espera, de novembro de 2010 até o início de dezembro de 2011 foram feitas 47 cirurgias. Se a equipe do hospital conseguir fazer oito cirurgias por mês, o tempo de espera da fila vai girar entre quatro e seis anos. O HU é o único hospital de Maringá habilitado a fazer a cirurgia, a equipe da Secretaria Municipal de Saúde não atendeu as ligações da reportagem para confirmar o número de pacientes na fila e o tempo médio de espera pela cirurgia.(M.A)

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