OSLO (AE-AP) - A terra da abundância está preocupada com a escassez. Os salários são tão altos na rica Noruega que o país não consegue pessoas suficientes para preencher as vagas dos trabalhos que pagam pouco e que são a espinha dorsal do generoso sistema de bem-estar social do país. A resposta, dizem alguns, é importar estrangeiros para fazer este tipo de trabalho.
Mas isso é um ponto crucial num país acostumado ao isolamento da extremidade norte da Europa. A preocupação norueguesa é um contraste irônico em relação á vizinha Suécia, que está tentando encontrar dinheiro suficiente para manter seu igualmente abrangente sistema de benefícios sociais. Dinheiro não é problema na Noruega, a segunda maior exportadora de petróleo do mundo. O governo arrecada bilhões de dólares provenientes deste negócio todos os anos.
"Na maioria dos países, tem havido debates sobre como manter o pagamento imediato do sistema, na medida em que a população envelhece. Nós temos petróleo e outros rendimentos, por isso não vemos este como um problema muito grande", disse Aadne Cappelen
diretor de pesquisas da agência estatal de estatísticas do país. "Nosso problema são pessoas", disse ele, sugerindo que uma opção seria encorajar mais imigração para aqueles que queiram aceitar os empregos.
Durante os anos 90, políticos noruegueses, envergonhados pelas milhares de pessoas, incluindo idosos, que esperavam por assistência médica, votaram um aumento substancial dos gastos no setor de saúde. Desde 1990, o número de médicos em hospitais públicos aumentou 36% de acordo com o Ministério da Saúde e Serviços Sociais. Mas com a falta de enfermeiras e assistentes preparados, especialistas acabam empurrando carrinhos e preenchendo papéis, diminuindo o tempo que eles passam com seus pacientes, disse Erling Steen, do Ministério da Saúde e Bem-estar Social.
"A demanda (por enfermeiras e outros funcionários) é muito grande porque há muitos outros empregos. O recrutamento depende do que acontece no mercado". Ele disse que a falta de pessoal é maior em clínicas que cuidam de aposentados e idosos.
A Noruega tem uma taxa de desemprego tão pequena, 2,9% no mês passado, que a maioria dos noruegueses podem ser exigentes na escolha de suas ocupações. Poucos escolhem os poucos reconhecidos e não especializados oferecidos por instituições de saúde ou para idosos, onde a procura é está crescendo.
Cortar os programas de bem-estar social seria um suicídio político. Cappelen disse que a Noruega poderia mandar as pessoas para o exterior para tratamento ou aumentar os salários para fazer com que os trabalhos nas instituições sejam mais atraentes. Ou então, poderiam trazer trabalhadores-visitantes. Mas esta sugestão desperta oposição instantânea tantos dos políticos de direita quanto dos de esquerda. Apenas 5,5% as população da Noruega é de origem estrangeira, em sua maioria, provenientes do norte da Europa. A Noruega barrou a livre imigração em 1975, exceto para os países nórdicos e da Comunidade Européia.
"Mudar a política de imigração para resolver as necessidades de trabalhadores num curto prazo não é a solução", diz Carl I. Hagen, líder do Partido do Progresso, de tendências direitistas, que exige rígidos limites para imigração.
Pessoas de fora, em sua maioria suecos, dinamarqueses e alemães já estão suprindo parte da carência trabalho na área médica, mas geralmente são trabalhadores temporários. "Nós somos terrivelmente dependentes deles", diz Steen, um dos ministros da saúde. Ele disse que entre 15% e 20% do médicos na Noruega são estrangeiros, a Suécia sozinha responde por milhares de enfermeiras e seus imigrantes, geralmente ex-refugiados, são a espinha dorsal da força de trabalho não especializada de muitas instituições. A expectativa é de que a procura por este tipo de trabalho permaneça crescendo, pois que a Noruega tem hoje poucos jovens procurando trabalho devido à baixa taxa de natalidade na década de 80. Na Noruega, os governos locais e regionais são responsáveis pela maioria dos serviços de saúde e aposentadoria, que são alimentados por dinheiro público. Governos locais dizem que precisam de 85 mil novos trabalhadores na próxima década, em sua maioria para o setor de saúde. Isto representaria algo como 80% de todos aqueles que devem entrar para o mercado de trabalho neste período.
Cappelen diz que a Noruega precisa considerar a adoção de medidas mistas, como imigração, contratação de serviços no exterior, fazer com que os idosos continuem trabalhando ou a criação de impostos para mudar o padrão dos trabalhos. "Você vê jovens trabalhando alegremente em bares e restaurantes. Mas eles não querem trabalhar com idosos e cuidar deles. Talvez este tipo de trabalho não pareça legal aos seus olhos", explica. "Mas se cortarmos o poder de compra com impostos, menos pessoas irão comer fora. Isso significaria menos estabelecimentos deste tipo e mais pessoas disponíveis para cuidar dos velhos".

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