Faltam estrutura e preparação de professores
Londrina - A inclusão de crianças com necessidades especiais no sistema regular de ensino é mais uma preocupação para os pais. A dentista Wania Steca, mãe de Heloisa, 5 anos, que tem paralisia cerebral, afirma que o preconceito é visível. ''Odeio a música da propaganda que diz 'eu não sou diferente de ninguém'. É mentira dizer que as crianças especiais são iguais às outras e que não sofrerão preconceito na escola regular. É como se elas fossem um material para educar as outras.''
Wania conta que colocou Heloisa em um centro de educação infantil e se arrependeu. ''Naquele tempo ela ficava em um carrinho de bebê, a professora a colocava para olhar as outras crianças brincando. Nem ao menos tirava minha filha do carrinho e estimulava algum movimento. Isso é masoquismo.''
A falta de sensibilidade de alguns pais também incomoda a dentista. ''Muitos não sabem orientar seus filhos. As crianças olham os que possuem necessidades especiais como se fossem ETs. É bonito falar em inclusão, dá impressão de politicamente correto. Mas só uma mãe que passa o dia com seu filho que não fala, não anda, não come sozinho, pode saber o que essa criança precisa.''
Elizangela da Silva Santos é mãe de José Roberto, 13 anos, que possui paralisia cerebral e deficiência no sistema locomotor. Ele estuda numa escola na Zona Sul. Desde que começaram as aulas, ela acompanha o filho durante toda a manhã na escola.
''Eles não disponibilizam uma pessoa para levar meu filho ao banheiro. Não dão os remédios porque as receitas não têm data de validade, já que o uso é contínuo. É um sofrimento'', explica Elizangela.
A preocupação de Elizangela vai além das adaptações físicas do colégio. ''Tenho medo que o maxuquem. Nos intervalos as crianças correm, pulam, podem derrubá-lo. Se eu o deixo lá, sozinho, como vai ficar? Sem um acompanhante que ao menos o leve ao banheiro? Isso é inclusão?'' (B.M.)





