Brasília - Além dos problemas de infraestrutura, 22 aeroportos regionais brasileiros estão com algum tipo de restrição para receber voos regulares devido à falta de bombeiros de aeródromos. Terminais como os de Cascavel (Oeste), Caxias do Sul (RS) e Varginha (MG) perderam voos regulares por essa razão.
A Secretaria de Aviação Civil (SAC) admite que 76% dos aeroportos regionais brasileiros têm escassez desses profissionais. Até dezembro, todos terão que se adequar às exigências de uma resolução da Agência Nacional de Avião Civil (Anac), que estabelece o número mínimo necessário de bombeiros.
"As restrições por falta de bombeiros de aeródromo vão desde uma determinada aeronave não pousar naquele aeroporto. Ela também pode pousar, mas com capacidade reduzida. Se pode levar 70 passageiros, pode ser autorizada só com 30 ou 40", explicou a secretária de Navegação Aérea em exercício da SAC, Sonia Cristina Lopes Machado.
Somente aeroportos com voos regulares precisam de bombeiros de aeródromo. O número é definido com base na quantidade de voos e passageiros e no tamanho da maior aeronave que comporta. O mínimo é três. O Aeroporto de Guarulhos, por exemplo, tem cerca de 150.

Parceria
Numa tentativa de fazer o plano de aviação regional deslanchar, a SAC firma hoje uma parceria com o Comando da Aeronáutica para formar 1.031 bombeiros de aeródromos para 80 aeroportos de 17 Estados. A formação é feita unicamente pela Aeronáutica.
Desses 80 aeroportos, 22 estavam com limitação e os demais estavam com deficit de profissionais ou com necessidade de mais bombeiros para poder mudar de categoria e comportar aeronaves maiores. A maioria recebe aeronaves com capacidade de 70 passageiros, pelo menos.
O custo do treinamento será de R$ 16 milhões, ou cerca de R$ 15 mil por aluno. Os recursos sairão do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC). Não basta ser bombeiro para atuar em aeroportos - é preciso ter especialização. A estimativa da SAC é que 80% dos candidatos sejam militares. "Queremos destravar o plano de aviação regional", afirmou a secretária.
Para o ministro da SAC, Moreira Franco, as necessidades dos aeroportos brasileiros não se resumem a obras. "Um aeroporto não se opera sozinho, por melhor que seja a estrutura física. É preciso software, e software, neste caso, é gente capacitada. Esse é o objetivo deste projeto, e por isso ele é parte crucial do programa de aviação regional", afirmou.
Todas as Regiões do País serão atendidas. Serão 395 vagas no Sudeste, 221 no Sul, 192 no Norte, 138 no Centro-Oeste e 85 no Nordeste. O critério de escolha dos candidatos será dos administradores dos aeroportos. Nenhum deles é gerenciado pela Infraero, mas por prefeituras e governos estaduais. O curso terá duração de nove semanas.

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