Falta vacina contra tuberculose em Londrina
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terça-feira, 31 de março de 2015
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina O pequeno Heitor Hilário da Silva vai completar um mês neste sábado, mas já enfrenta problemas decorrentes da falta de estrutura do sistema público de saúde. Logo após o nascimento dele, os pais Fabiane e Marcelo Rodrigues da Silva foram orientados a levá-lo a uma unidade básica de saúde para receber uma dose da BCG-ID, mas descobriram que a vacina está em falta em Londrina. "É preocupante que uma cidade do tamanho de Londrina não tenha nenhuma unidade de saúde com essa vacina disponível", lamentou Marcelo Silva.
Ele informou que o máximo que conseguiu foi que a unidade básica de saúde próxima a sua casa, na zona oeste da cidade, colocasse o nome de Heitor em uma fila de espera. "Eles não falaram o porquê dessa falta de vacinas, mas quem é punido é a gente. Nós pagamos nossos impostos para que haja medicamentos disponíveis. Infelizmente vamos ter que recorrer a uma clínica particular para que nosso filho receba essa vacina", protestou.
A vacina BCG-ID deve ser administrada logo que o bebê nasce ou o mais precocemente possível. Nos prematuros com menos de 36 semanas, a dose deve ser administrada após 1 mês de vida e 2 kg de peso. Essa vacina previne a tuberculose, uma doença infectocontagiosa causada pelo Mycobacterium bovis ou pelo Bacilo de Koch. Ataca mais comumente os pulmões, mas pode também causar infecções nos ossos, rins e meninges (as membranas que envolvem o cérebro).
Silva está preocupado porque a transmissão da tuberculose é direta, de pessoa a pessoa, portanto, aglomerações são o principal fator de transmissão. Quando um bebê entra em contato com pequenas gotas de saliva expelidas por alguém contaminado ao falar, espirrar ou tossir, pode aspirá-las e se infectar. Além disso, qualquer fator que gere baixa resistência orgânica também favorece o estabelecimento da tuberculose.
A tia de Marcelo Silva, Maria Aparecida Marchesini, é auxiliar de enfermagem aposentada e trabalhou 42 anos na área da saúde. Ela não poupou críticas ao sistema público. "Nunca vi algo assim. Imagine se a criança pega tuberculose? Eu, como cidadã, me senti na obrigação de denunciar isso. É uma vergonha!", apontou.
DEMANDA
A coordenadora de imunizações da Secretaria Municipal de Saúde, Sônia Fernandes, explicou que a Coordenação-Geral do Programa Nacional de Imunizações (CGPNI) do Ministério da Saúde tem enfrentado dificuldades para atender a demanda nacional. "Isso acontece porque a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou no final de 2013 que os laboratórios passassem por uma readequação na área tecnológica, mas eles não conseguiram fazer isso dentro do cronograma", disse. Segundo ela, antes da determinação, 90% das vacinas eram produzidas dentro do território nacional e agora a maioria desse material vem dos laboratórios internacionais.
Sônia Fernandes apontou que o Ministério da Saúde tem recorrido ao Fundo Internacional de Vacinas da Organização Pan-americana de Saúde, que geralmente é utilizado como estoque regulador e em situações de calamidade. Esse estoque seria suficiente para abastecer a demanda por um período de três a seis meses. "Mesmo assim, o fundo vem atrasando a entrega", destacou. O ministério informou que a regularização dos estoques de vacinas BCG teve início na última semana, com o envio de 180 mil doses para todo o país.



