Falta transporte para escolas no Vista Bela
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quinta-feira, 04 de agosto de 2011
Silvana Leão <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - A realização do sonho da casa própria veio acompanhado de várias dificuldades para as 178 famílias que já ocupam as casas construídas no Residencial Vista Bela, na Zona Norte de Londrina. Apesar do tamanho do empreendimento - no total serão 2,7 mil unidades habitacionais, erguidas com recursos do Programa Federal Minha Casa, Minha Vida - não há escolas, creches, postos de saúde e comércio nas proximidades. Os primeiros a povoar a região onde até pouco tempo atrás só havia lavouras, tentam encontrar saídas para a falta de estrutura.
Um problema, porém, é de difícil solução a curto prazo: garantir que as crianças menores continuem a frequentar a escola. Matriculadas em instituições distantes, muitas não retornaram às aulas após as férias. Outras mais faltam do que vão, porque dependem de a família ter dinheiro para o passe de ônibus ou combustível para levar com o carro particular. A Secretaria Municipal de Educação e o Ministério Público correm contra o tempo para encontrar uma forma de viabilizar o acesso às aulas.
Segundo mães ouvidas pela reportagem, o município se propôs a pagar as passagens das crianças, mas a preocupação é que muitas delas são muito pequenas para andarem sozinhas em coletivos. ''Minha filha tem 7 anos. Como eu vou deixar ela ir sozinha e pegar dois ônibus para chegar à escola? Não tem condições'', afirma Ariane do Espírito Santo, que deixou o emprego como varredora de rua para ficar em casa com a garota e os outros dois filhos - um menino de 9 anos e uma bebê de 8 meses.
Outra família que vive problema semelhante é o da dona de casa Marzeli de Fátima Anselmo da Silva, que tem três filhos em idade escolar - 6, 10 e 12 anos - e um caçula de 3 anos. Antes de se mudar para o Vista Bela, eles moravam em uma invasão no Jardim Marieta, também na Zona Norte, e as crianças estão matriculadas lá perto.
Marzeli diz que tem medo de deixá-los ir sozinhos. Diante de tanta dificuldade, ela tomou uma decisão radical. Neste final de semana pretende levar os três filhos para morar com a avó, em Cornélio Procópio (Norte). Lá, segundo ela, será mais tranquilo para estudarem.
Outra mãe que chegou a participar de reunião na Secretaria de Educação para discutir o problema, afirma que o compromisso do órgão era de procurar as famílias posteriormente com uma proposta, mas que até agora isso não aconteceu. ''A secretária (Karin Sabec Viana) falou que poderíamos escolher umas três mães para acompanhar as crianças, que o município pagaria as passagens delas, mas é muita criança para só três mães acompanharem'', argumenta Aline do Espírito Santo, que tem filhos de 6, 7 e 8 anos.
A promotora da Vara da Infância e da Juventude, Yara Faleiros Guariente, informou que o Ministério Público (MP) está acompanhando a situação e está levantando o número de crianças que estão com dificuldades de ir para a escola. ''Esta é uma preocupação antiga do Ministério Público, que vem desde antes da mudança destas famílias para lá.'' Durante reunião quinzenal do Fórum Permanente de Educação, que deve acontece hoje com participação de vários órgãos, o assunto deve voltar à pauta.
O presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), João Verçosa, afirma que no dia 13 de maio o órgão respondeu a um ofício da Secretaria de Educação, informando o número de famílias que se mudariam para o local. Segundo ele, a Cohab aguarda autorização para licitar a construção de um centro comunitário de convivência, que a princípio deve funcionar como creche para 211 crianças. Também há projeto de construção, no futuro, de complexo educacional em uma área próxima, de 42 mil metros quadrados.
A secretária Karin Sabec confirma que pediu para as mães elegerem algumas monitoras para que acompanhassem as crianças. ''As crianças precisam ser transportadas para continuarem estudando e nós vamos dar passes para que isso aconteça'', garante. (Colaborou Vitor Ogawa)


