Falta sintonia entre as forças policiais
Os ataques ocorridos em São Paulo na última semana reacenderam o debate sobre a falta de sintonia entre as diferentes forças policiais do país para combater organizações cada vez mais coesas e de alcance nacional e até internacional. Falta integração não apenas entre as esferas federal (Polícia Federal, Polícia Rodoviária etc.) e estadual (Polícias Civil e Militar). Mas também entre as Polícias Civil e Militar dentro de um mesmo estado - para não falar nas Guardas Civis Metropolitanas.
O governo federal abandonou a proposta de unificar as Polícias Civil e Militar, prevista no programa de governo do PT. Em vez disso, criou o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), com o objetivo integrar municípios, estados e União no combate ao crime, com a formação de um banco de dados de segurança comum. Segundo o secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, a opção feita pelo governo foi aperfeiçoar as instituições existentes, em vez de promover mudanças drásticas.
O programa de governo ''Segurança Pública para o Brasil'', apresentado pelo então candidato Lula em 2002, previa a unificação gradual das polícias estaduais. O texto apontava falhas no inquérito policial como ele é hoje, sugerindo a adoção de um relatório sumário, que não traria indiciamento de suspeitos. Acontece que a polícia civil dos estados não demonstra interesse em abrir mão do instrumento.
No Susp, as diversas instituições ligadas à segurança pública (polícias estaduais e federal, Ministério Público e Judiciário) formam o Gabinete de Gestão Integrada nos estados, cuja função é compartilhar dados e traçar estratégias em conjunto dos órgãos.
O grande problema é que o governo até hoje não conseguiu implementar o Susp conforme o previsto. Além disso, o projeto esbarra na resistência das polícias, que hesitam em compartilhar informações sensíveis. (A.S.)





