Uma radiografia feita pelo Exame Nacional de Cursos (Provão) revela que a maioria dos novos médicos não tem qualificação suficiente para exercer a profissão. A análise é feita pelo corregedor do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto D'Ávila. Pelo resultado do exame, 66,5% dos 83 cursos avaliados tiveram conceitos C, D e E. Apenas 13,3% obtiveram nota máxima e 20,5%, nota B. A média das notas dos formandos ficou abaixo de 5, numa escala de 0 a 10. ''A nota C é muito preocupante, pois os médicos lidam com a vida humana'', afirma D'Ávila.

Ele anunciou que o conselho começou a estudar a possibilidade de, a exemplo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), adotar um exame prévio para o médico entrar no mercado. Essa proposta precisa do aval do Congresso. Roberto D'Ávila também defende o fechamento imediato dos cursos com conceitos ruins seguidos.

''No caso de medicina, não basta suspender vestibulares'', diz. D'Ávila refere-se à decisão tomada pelo Ministério da Educação (MEC), nesta semana, de proibir novas seleções de alunos para 12 cursos de letras e matemática que pelo terceiro ano consecutivo tiraram notas ruins no Provão. Nas contas do CFM, dos 108 cursos em funcionamento no País, 18 foram abertos nos últimos dois anos. E mais 14 faculdades aguardam análise de pedido de autorização para novas matrículas.

A secretária de Ensino Superior do MEC ressalta que as universidades e centros universitários têm autonomia para abrir cursos. Para o corregedor do CFM, nem sempre há necessidade social de novas faculdades. ''O ideal é termos avaliações no decorrer do curso e não apenas no último semestre'', afirma Roberto D'Ávila.

mockup