Falta paciência de ambos os lados, diz Incra-PR
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de julho de 2003
Andréa Bordinhão<br> Reportagem Local 
Para o superintendente do Incra-PR, Celso Lisboa de Lacerda, as ações violentas da madrugada de sexta-feira na fazenda Pitanga, no município de Uniflor, demonstram falta de paciência tanto por parte do MST quanto dos fazendeiros. ''Já estamos trabalhando para dar início à reforma. Porém, isso leva tempo e é preciso compreensão de ambas as partes'', afirmou. Ele ressaltou ainda que atitudes como essa ''não levam a nada, pois já está comprovado na prática que a violência não garante a defesa da propriedade e nem faz com que as invasões cessem''.
O Secretário de Estado do Emprego, Trabalho e Promoção Social e presidente da Comissão Especial de Mediação de Questões da Terra, Padre Roque Zimmermann, disse que os fatos em Uniflor o pegaram de surpresa, não havendo oportunidade de uma mediação. Apesar disso, ele garante que será feito de tudo para que as negociações continuem de forma pacífica. ''Ainda não há metas e estratégias do governo para a reforma agrária. Com essa demora, a situação no campo tende a ficar cada vez mais tensa'', constatou.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, também se pronunciou sobre o caso. Segundo ele, o governo não vai tolerar ações como a registrada no Paraná. ''Não terão paz esses aventureiros irresponsáveis, que buscam ampliar o padrão de violência no campo, num marco de absoluta irresponsabilidade'', afirmou.
Na avaliação do ministro, existem casos localizados de conflitos entre sem-terras e fazendeiros no País. ''Não vamos permitir a ampliação de um ambiente de violência nessas regiões, que são muito localizadas e muito conhecidas por nós'', disse Rosseto. O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, lamentou o ocorrido, mas defendeu o direito dos fazendeiros de protegerem suas propriedades. ''Mas tudo dentro da lei, sob o império da lei'', ressaltou. (Com Agência Estado)


