Falta opção para crianças e velhos
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sexta-feira, 06 de junho de 1997
Valmir Denardin 
Filho de imigrantes japoneses, o prefeito Harry Daijó (PPB) chegou em Foz do Iguaçu em 1972, aos 24 anos. Sua família, que morava em São Paulo, comprou uma área de terra no Paraguai, próximo à fronteira com o Paraná. Percebemos que essa região era promissora e resolvemos nos instalar aqui, conta o prefeito.
Depois de cursar Direito, casar e se dedicar à atividade agropecuária durante mais de três décadas, Daijó, hoje com 49 anos, exerce seu primeiro cargo político. Resolvi me candidatar por causa dos meus filhos. Comecei a questionar o nosso futuro, afirma o prefeito, que é pai de oito filhos.
Nesta entrevista à Folha da Amizade, Daijó comenta a atual situação da cidade e traça perspectivas para seu desenvolvimento.
Folha da Amizade- O setor de turismo em Foz do Iguaçu passa por um período de crise. O que a Prefeitura vai fazer para mudar isso?
Harry Daijó- Já temos feito algumas coisas. Efetuamos uma redução significativa no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Reduzimos em 90% a multa e os juros da dívida ativa e estamos fazendo uma reforma fiscal. Estamos enviando à Câmara um novo instrumento tributário. Com a redução dos impostos vamos estimular para os investimentos já existentes.
Folha- Qual é o futuro do turismo em Foz do Iguaçu?
Daijó- Não existe uma região no País que tenha melhores condições e mais expectativas do que Foz do Iguaçu. Foz começa a centralizar operações de turismo ambiental e turismo de eventos e de negócios. A cidade centraliza as ações no Mercosul no transporte terrestre, no transporte hidroviário, no transporte aeroviário, já que temos aqui três aeroportos internacionais. Somos também um grande centro de compras, representado por Ciudad del Este, e grande centro importador e exportador do Mercosul, com Paraguai, Argentina, Chile e Uruguai com intercâmbios diretos com o Brasil. Hoje temos uma movimentação superior a mil carretas diárias na nossa cidade. Tudo isso são indicadores fortíssimos do crescimento do turismo, do crescimento dos negócios.
Folha- Um dos maiores problemas de Foz é a curta permanência do turista na cidade, geralmente de dois dias. O que é possível fazer para aumentar essa permanência?
Daijó- Estamos potencializando isso através de uma parceria com as prefeituras de Ciudad del Este e Puerto Iguazú. Hoje já funciona bem a parceria do Casino Iguazú, da Argentina, com a hotelaria de Foz do Iguaçu. Estamos em negociações para a integração com o cassino do Paraguai. Muitas lojas do Paraguai poderiam hoje ser parceiras maiores dos hotéis de Foz. Temos ainda deficiência de equipamentos para os jovens, para os idosos. Já estamos trabalhando para a captação de investimentos nessas áreas.
Folha- Há outros caminhos de desenvolvimento para o município fora o turismo?
Daijó- Hoje temos mais de mil carretas diárias circulando em Foz do Iguaçu. Essas carretas atravessam o Paraná e vão a outros destinos. O grande desafio de Foz, da região e do Paraná é fazer com que essas matérias-primas possam ser manufaturadas no Estado, gerando empregos e renda. Nossa centralização geográfica, com a Ponte da Amizade (que liga o Brasil ao Paraguai) e a Ponte da Fraternidade (entre Brasil e Argentina), causa o afunilamento desse processo. Toda mercadoria chilena que vai a São Paulo, por exemplo, passa por Foz do Iguaçu. Grandes exportadores de frutas chilenos têm que passar pela nossa cidade. A distribuição poderia ser feita por aqui. Mas fiz uma pesquisa e constatei que não temos uma câmera frigorífica. Não temos armazéns que poderiam abrigar, por exemplo, um navio que venha de Buenos Aires para cá com mercadorias. O potencial é enorme. O que precisamos é fazer com que essa mercadoria seja armazenada e manufaturada na cidade ou na região.
Folha- Com os Jogos Mundiais da Natureza, Foz pode se tornar também uma referência na área de esporte, além de uma referência no turismo.
Daijó- Foz já é uma referência no esporte. Temos um clube hípico que realizou no final de maio uma prova internacional. Esse foi um dos únicos eventos esportivos internacionais do ano no Paraná. Em meados de maio, foi inaugurado o Iguassu Golf Club e Resort, que possui um campo de golfe também internacional. As práticas esportivas dos Jogos Mundiais da Natureza são comuns na Europa. Isso vai dar uma categoria diferente ao esporte no Brasil, que alia a prática esportiva à natureza. Teremos esse agregado importante, que é o homem desafiando a natureza.
Folha- Como estão as negociações para a vinda de empresas para o município?
Daijó- Já recebemos mais de 200 consultas, entre empresas de pequeno, médio e grande porte, que querem se instalar em Foz. No momento, estamos trabalhando em um Plano Diretor para que possamos ter indústrias ambientalmente adequadas para a cidade. Teremos a extensão da Ferroeste (ferrovia que atualmente liga Cascavel a Guarapuava). A transposição das cargas entre as hidrovias Tietê-Paraná e Paraná-Bacia do Prata terá que ser feita em Foz do Iguaçu porque Itaipu não tem eclusa. Isso vai triplicar o volume de caminhões na cidade. Estamos desenvolvendo o Plano Diretor em convênio com o Governo do Estado. É preciso de um projeto para definir os grande investimentos. Já temos definidos os investimentos no turismo. Três grandes projetos de parques temáticos, superiores a US$ 100 milhões, estão querendo se instalar em Foz. Queremos investir naquelas deficiências que temos para oferecer opções ao público infanto-juvenil e a terceira idade. A prefeitura está se capacitando para gerenciar esses investimentos.
Folha- Quais seriam esses parques temáticos?
Daijó- Beto Carrero tem interesse. Há também interesse do grupo Disney. Um representante da Prefeitura está fazendo contatos com a Disney. O que senti nesses grupos é que eles estão interessados com a estrutura educacional, de hotelaria, comércio e serviços que a cidade oferece. Os investidores querem saber o que podemos oferecer em termos de estrutura.
Folha- Já é possível vislumbrar a instalação de um parque da Disney em Foz?
Daijó- A Disney está buscando na América do Sul um lugar para isso. Para trazerem esse projeto, precisam que haja qualidade no ambiente onde vão se instalar: se tem bons hotéis, aeroportos etc. E nisso levamos vantagem sobre outros lugares. Somos uma área internacional. Somamos 600 mil habitantes com Ciudad del Este e Puerto Igauzú. Temos mais de 30 faculdades. Agora estamos juntando tudo isso e mostrar que somos uma coisa só. Aqui se utilizam as principais moedas do mundo, tem gente do mundo inteiro e se fala as principais línguas do mundo. Queremos melhorar a qualidade desse potencial.
Folha- O que está sendo feito para combater o desemprego?
Daijó- O desemprego só pode ser combatido com o desenvolvimento econômico. O grande problema da nossa região é a informalidade da economia. As oportunidades que Foz oferece, com várias figuras de trabalho, como o laranja, facilitou a obtenção de empregos informais. Com a queda do movimento em Ciudad del Este, o número desses empregos informais diminuiu. Mas constatamos que houve uma melhora, de abril para maio, tanto na hotelaria, quanto no comércio. Vimos a inauguração de novas lojas na cidade. Estaremos desenvolvendo um grande programa habitacional em que empregaremos muita mão-de-obra. Para a qualificação dessa mão-de-obra, estamos desenvolvendo com a Secretaria Estadual do Trabalho e o Ministério do Trabalho para colocar em Foz um dos grandes programas de qualificação profissional. Isso vai melhorar as oportunidades de trabalho e o ganho do trabalhador.
Folha- Como será o projeto habitacional?
Daijó- Queremos mudar os conceitos de habitação popular. Não vamos fazer um conjunto com todas as casas iguais. Faremos um grande laboratório com os sistemas de autoconstrução, autogerenciamento e cooperativas. Serão milhares de unidades que serão construídas por meio desses sistemas.


