Curitiba - A comissão de sindicância criada pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para investigar a exportação ilegal de mogno pelo Porto de Paranaguá, com a conivência de dois fiscais, está parada há 20 dias por falta de dinheiro.
Segundo Sérgio Jorge, assessor de gabinete do Ibama em Curitiba, a União ainda não repassou os recursos previstos para o órgão no Paraná em 2002, por isso ‘‘a comissão não tem condições de se deslocar até o Litoral.’’
Segundo a denúncia que chegou à Polícia Federal, os fiscais do Ibama Otto Kesseli Junior e Dynei Carvalho estariam fazendo ‘‘vistas grossas’’ à exportação ilegal da madeira, em troca de propina. Afastados do setor de fiscalização, eles agora exercem trabalhos administrativos. Kesseli Junior era o chefe do posto do Ibama em Paranaguá. Ele trabalhou no órgão por 41 anos, se aposentou e foi nomeado para assumir o cargo de confiança.
‘‘Investigações preliminares não apontaram envolvimento dos fiscais com exportações ilegais de mogno’’, adiantou Sérgio Jorge. ‘‘Pessoas que foram multadas se vingaram através de denúncia anônima na PF’’. O Ibama acredita que só haverá um desfecho para o caso quando estiver pronto o laudo dos exames grafotécnicos do bilhete enviado para a polícia, que teria sido escrito por Dynei Carvalho com o aval do chefe Otto Kesseli Junior. O bilhete dizia que ‘‘Otto cobra R$ 1,00 por metro cúbico de mogno para não abrir fardo’’.
Ontem, o Ibama começou pelo Pará uma operação nacional na tentativa de coibir o corte, o transporte e a comercialização do mogno, proibidos desde outubro do ano passado. A exportação também foi proibida porque a madeira está em extinção.

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