Falta de saneamento básico atinge toda AL
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de outubro de 2001
Maura Campanili<br> Agência Estado<br> De Belo Horizonte 
O ritmo acelerado de urbanização na América Latina, sem investimentos proporcionais em infra-estrutura, fizeram do saneamento básico um dos maiores problemas no continente. Apenas 13% do esgoto urbano na região - que tem 75% da população nas cidades - passam por algum tipo de tratamento. ''Desse percentual, porém, apenas 2% podem ser considerados bem tratados'', afirmou Ricardo Sanches Sosa, diretor para América Latina e Caribe do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), durante a 4ª Conferência Latino-Americana sobre Meio Ambiente (Ecolatina), que termina amanhã, em Belo Horizonte.
O saneamento básico é o tema central do encontro, que deverá reunir 4 mil pessoas em 155 palestras. Para Sosa, a falta de recursos no setor reflete o pouco interesse dos países desenvolvidos na resolução do problema. ''Durante uma conferência do PNUMA, em Washington, sobre fontes terrestres de poluição marinha, realizada em 1995, definiu-se que os maiores problemas eram os Poluentes Organoclorados Persistentes (POPs) e o esgoto das cidades dos países em desenvolvimento. Como as pesquisas indicavam que os químicos usados aqui se acumulavam também ao norte do planeta, as negociações evoluíram rapidamente e os POPs foram banidos este ano. Com isso, grandes investimentos foram realizados para a substituição do DDT no combate à malária no México e na América Central. Como o esgoto só influencia na qualidade de vida da população local, não houve o mesmo empenho da comunidade internacional'', disse.
O tema deverá ser retomado durante um encontro, que acontecerá em novembro, em Montreal, no Canadá. ''Precisamos criar mobilização para conseguir recursos junto aos governos, capital privado e ajuda internacional'', avalia o diretor do PNUMA.
Segundo Ricardo Sosa, a crise mundial instaurada a partir dos atentados terroristas de 11 de setembro, ao invés de inviabilizar ainda mais os investimentos, pode ser a oportunidade de se adotar o paradigma do desenvolvimento sustentável no mundo. ''Os Estados Unidos, depois de viverem sua década gloriosa nos anos 90, estão descobrindo que não dá para viver só, em um mundo globalizado. A pobreza, a degradação ambiental e a falta de perspectiva dos 80% da população mundial que estão fora dos países desenvolvidos devem ser vistos como um problema de todos'', disse.


