Londrina - Euvira da Silva Fernandes tem três fossas sépticas no quintal de casa, solução encontrada para suprir a falta da rede de esgoto no bairro. Ela mora há 31 anos no Conjunto Avelino Vieira (Zona Oeste). ''Não tinha mais espaço no terreno e o orçamento que fiz para fazer a limpeza de uma fossa chegou a R$ 280'', criticou a dona de casa.
Mal sabe ela que a falta de saneamento básico afeta 46,2% da população brasileira. Quase a metade dos moradores das 100 maiores cidades do País ainda não conta com coleta de esgoto, conforme pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Trata Brasil, uma oscip que tenta mobilizar a sociedade para que o Brasil atinja a universalização do acesso a coleta e ao tratamento de esgoto.
O levantamento leva em conta os dados coletados pelo Ministério das Cidades em 2010, os últimos divulgados pelo poder público. O Instituto informou que nessas 100 cidades, 31 milhões de pessoas moram em lugares onde o esgoto corre a céu aberto. Em todo o País, são despejados diariamente cerca de 8 bilhões de litros de fezes, urina e dejetos em córregos, rios e oceano.
Em 32 dos maiores municípios do País, a coleta de esgoto varia entre 0% a 40% e em 34 cidades, de 41% a 80%. Quanto ao esgoto tratado foi verificado que em 40 cidades este serviço não ultrapassava 20%. Apenas seis cidades tinham nível de excelência, ou seja, o tratamento ultrapassava 81% (Curitiba e Maringá estão entre elas). Nove municípios tinham índice superior a 70% em 2010, incluindo Londrina, que alcançava 79% nessa época.
O Avelino Vieira, conjunto em que mora a dona de casa Euvira Fernandes, foi contemplado meses atrás com a rede coletora de esgoto. A Sanepar investiu R$ 32 milhões na construção de uma nova estação de tratamento que atenderá boa parte da região Sul de Londrina e o município de Cambé.
No entanto, Euvira não efetuou a ligação interna na residência por conta do custo. ''As coisas estão difíceis, eles tinham que facilitar. O serviço foi orçado em mais de R$ 1,1 mil'', revelou.
O vendedor César Cirino investiu mais de R$ 850 na ligação. ''É um processo de desenvolvimento, isso é qualidade de vida'', comemorou.
Segundo a Sanepar, Londrina conta hoje com 86% de coleta e tratamento de esgoto. ''São investidos R$ 48 milhões por ano em saneamento na cidade. Estamos concluindo algumas obras da Estação de Tratamento Esperança e com a implantação vamos alcançar 88% da cidade atendida com esgoto até o final do ano'', ressaltou o gerente-geral Carlos Roberto Pinto.
Estudos indicam que a cada real investido em saneamento público, três são economizados na área de saúde. ''As pessoas têm que entender que essas ligações internas não são despesas, mas investimento porque o morador se livra de um foco de vetores, passa a ter saúde muito melhor'', concluiu.(Com Agência Brasil)

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