São Paulo, 10 (AE) - A carga tributária paga por uma indústria transformadora de plásticos no Brasil pode chegar a 54 05% do seu faturamento bruto, demonstra um estudo realizado pelo economista Paulo Viceconti, a pedido da cadeia produtiva de plásticos. Com base nesse exemplo e a certeza de que a maioria das indústrias do setor arca com de 35% a 45% de carga tributária sobre o que produzem, o 3º Workshop Internacional sobre Competitividade, promovido pela Abiquim, a Abiplast e o Siresp, colocou a estrutura tributária no centro das atenções. "No exterior, essa carga não passa dos 25%", disse o economista e professor da Universidade de Campinas (Unicamp), Luciano Coutinho, especialista em números sobre a produção de plásticos.
O vice-presidente da Abiquim, Guilherme Duque Estrada, lamenta que a reforma tributária só venha a ser votada no início do próximo ano. Entranto, em vigor somente em 2001, a nova lei sobre tributos vai dificultar investimentos do setor em 2000. A situação da produção também tende a se agravar, a partir de agosto de 2000, por que o governo vai liberar a compra da nafta (matéria-prima da base da cadeia de plásticos), que será cotada no mercado interno pela flutuação do valor da commodity no exterior.
Hoje, o governo brasileiro controla o preço interno do insumo que, comparado ao internacional, está defasado em 20%. Segundo a Abiquim, o setor já havia solicitado ao governo que repassasse o valor real da nafta, aos poucos, desde o ano passado. "A Abiquim preferia enfrentar o custo da nafta, logo, a ter de arcar com a defasagem de uma hora para outra", explica Duque Estrada. Frente à incerteza sobre o câmbio, o governo preferiu adiar. "Acreditamos que ainda antes de agosto do próximo ano, o preço no mercado interno seja igual ao do exterior."
Outro empecilho para a produção é a taxa de juros, que embora tenha caído de 45% no início do ano para os atuais 19%, ainda é alta. Os custos de capital para uma indústria no Brasil são três vezes maiores do que no exterior. Enquanto o empresário brasileiro busca financiamentos a taxas de 25% ao ano, no exterior elas não passam dos 13% no período. O reflexo desses problemas, segundo Coutinho, é que no próximo ano o crescimento do PIB não passará dos 2,5%. "Mas o incremento do setor de plásticos deverá ser de 4%, devido ao aquecimento de consumo de produtos como embalagens", prevê. Para o economista, o crescimento do PIB, este ano, deverá ser de -0,1%. Já a indústria de plásticos projeta incremento de 10% em vendas internas e exportações.

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