Falta de profissionais no HU de Maringá alerta para interdição ética
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quinta-feira, 18 de abril de 2019
Pedro Moraes - Grupo Folha 
A falta de profissionais para atuar no pronto-socorro do HU (Hospital Universitário) Regional de Maringá da UEM (Universidade Estadual de Maringá) fez acender um alerta no CRM-PR (Conselho Regional de Medicina do Estado do Paraná). Em dezembro, a instituição recebeu uma denúncia sobre as condições de trabalho dos profissionais na unidade e foi proposta uma interdição ética para proteger não só aos especialistas em saúde como também aos pacientes. Durante o prazo de quatro meses, a administração do hospital elaborou uma série de ações para solucionar os problemas que basicamente se resumem ao reduzido número de profissionais. O imbróglio ainda não foi completamente solucionado e por este motivo foi pedida a ampliação do período por mais 30 dias ao CRM. “Hoje temos um deficit de 200 funcionários. Este problema é o que todos os hospitais universitários do Estado sofrem. Sem concurso desde 2014 e nenhuma reposição”, afirmou a ortopedista Elisabete Kobayashi, professora da UEM, superintendente do hospital há um mês.
Com 7.000 atendimentos na emergência e outros 4.000 no ambulatório, o Hospital da UEM tem resolvido seus problemas utilizando a verba destinada para a compra de equipamentos, para a manutenção da instituição e consumo de material hospitalar. Sem aparelhos de raio-X atualizados, com as incubadoras dos bebês defasadas a ponto de não encontrar peças de substituição, a superintendente contrata os profissionais com a preocupação de que não fiquem muito tempo no emprego. “Treinar e capacitar para as nossas rotinas demandam tempo e dinheiro. A verdade é que essas pessoas não ficam por muito tempo”, lamenta Kobayashi. De acordo com ela, também foi agilizado o processo de internação na clínica cirúrgica, de tal maneira que nenhum paciente cirúrgico permanece mais que 24 horas no pronto-socorro. Os gestores de saúde municipais e estaduais já se demonstram preocupados com a situação do Hospital Universitário e ainda este mês devem se reunir com a atual gestão. A secretaria estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior foi procurada para comentar o caso, mas não respondeu até o fechamento desta edição.
A decisão sobre a prorrogação do prazo dado pelo CRM-PR sairá na noite da próxima segunda-feira (22), quando haverá uma sessão plenária com os 40 conselheiros da instituição. “Temos consciência de que o período de quatro meses foi difícil. Houve troca do governo do Estado e da própria gestão do hospital. Algumas medidas já foram tomadas e temos relatos de alguma melhora”, avalia o urologista Márcio de Carvalho, conselheiro do CRM-PR. O médico, inclusive, ressaltou que os trabalhos da entidade têm priorizado a fiscalização, sendo que 20% do volume das ações no País acontecem no Paraná. Para ele, as denúncias são fundamentais e encorajam que novas sejam feitas. “Este é um mecanismo que permite que possamos conferir os problemas. Não há forma de a instituição ser onipresente. Os relatos são fundamentais porque o sistema funcionando de forma precária expõe não só o trabalho dos médicos, como a vida dos pacientes”, concluiu Carvalho.


