A falta de professores deve afetar o início do ano letivo da Universidade Estadual de Londrina (UEL) no próximo dia 22 . O desligamento de 214 profissionais no último ano deverá deixar turmas sem aulas nos primeiros dias. A maioria dos desligamentos foi de contratados temporários. Os demais foram por exoneração, aposentadoria e morte. A partir do próximo dia 22, os diretores de centros deverão fazer adequações para minimizar as dificuldades criadas pela falta de profissionais.
A reitora da UEL, Lygia Pupatto, informou ontem que está pedindo ao governo estadual a contratação de 190 professores. ''Acredito que (o Estado) deverá liberar estas contratações'', disse. Ela comentou que as adequações, que serão feitas pelos diretores de centro até as contratações, serão ''alternativas temporárias.''
De acordo com o pró-reitor de Recursos Humanos da UEL, Rodney Lima, o remanejamento de disciplinas para evitar horários ociosos é uma das medidas possíveis. ''O objetivo da readequação é diminuir os transtornos para os estudantes'', disse. Para ele, houve um acúmulo de vagas desocupadas por causa do excesso de professores contratados temporariamente.
Lima reconheceu, no entanto, que o remanejamento de horários não é possível em alguns departamentos. ''Há cursos que têm disciplinas que exigem professores com formação específica na área'', admitiu. Um exemplo é o curso de enfermagem, cujo estágio requer especialistas no comando de certas disciplinas.
A estudante do último ano e coordenadora de administração e finanças do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Paula Men de Oliveira, 20 anos, disse que os estudantes estão preocupados com a situação. ''A falta de professores pode atrasar a formatura e prejudicar o currículo, o que atrapalha na busca por emprego ou na hora de prestar um concurso'', disse.
As aulas de enfermagem tiveram início em 1º de março e estudantes já estão ficando sem professores no internamento. A coordenadora do curso de enfermagem, Mara Solange Gomes Dellaroza, disse que pelo menos três contratações ''seriam essenciais.''
Para o presidente da Associação de Docentes da UEL (Aduel), Evaristo Colmán, o governo estadual extrapolou suas atribuições ao cancelar a contratação de professores. ''O governo não entende de universidade. Quer julgar a pesquisa universitária, mas para medir a qualidade da pesquisa é necessário tempo'', afirmou.

mockup