Brasília – A falta de políticas públicas específicas para a população cigana é, hoje, o maior desafio do governo federal para melhorar a qualidade de vida dessa população, respeitando as peculiaridades culturais. Entre as poucas ações governamentais adotadas recentemente está a instituição, em 2006, do Dia Nacional do Cigano, lembrado hoje (24). A data é uma homenagem à padroeira Santa Sara Kali.

Desde então, nenhuma ação ligada à educação, saúde e programas assistenciais para os ciganos foi implantada. A ideia é que cada ministério defina ações e destine recursos para execução de políticas voltadas a esses povos. Os ciganos têm representação no Conselho Nacional de Políticas de Igualdade Racial e na Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. No entanto, os dois órgãos são apenas consultivos.

A ausência de políticas públicas é mais evidente entre as comunidades Calom que, até hoje, mantêm a cultura do nomadismo, mais por necessidade do que por apego à tradição.

Para o ex-subsecretário de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos no governo Lula Perly Cipriano, os programas governamentais voltados para os ciganos são executados de forma lenta. Ele destaca a falta de acesso à educação como um dos principais problemas.

A população cigana, no Brasil, ultrapassa os 800 mil, uma vez que a cultura nômade ainda persiste em muitas comunidades. Estima-se ainda que 90% dessa população sejam analfabetos. O Censo 2010 constatou a existência de acampamentos em 291 dos 5.565 municípios brasileiros.

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